UE define condições para relação com talibãs e avalia presença em Cabul

UE define condições para relação com talibãs e avalia presença em Cabul

Bloco alerta que não servir de base para o terrorismo e respeitar os direitos das mulheres e da mídia são elementos fundamentais para este processo

AFP

UE define condições para relação com talibãs e avalia presença em Cabul

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Os países da União Europeia (UE) discutiram nesta sexta-feira (3) suas condições para intensificar as relações com os talibãs e concordaram em estabelecer uma presença conjunta em Cabul para ajudar na retirada de mais pessoas, se a segurança no terreno assim permitir. "Temos que nos relacionar com o novo governo no Afeganistão, o que não significa reconhecimento. É uma relação operacional", alegou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, após uma reunião de ministros das Relações Exteriores do bloco, na Eslovênia. Essa "relação operacional vai aumentar, dependendo do comportamento deste governo", acrescentou.

Borrell apresentou uma série de passos que as autoridades no Afeganistão teriam de cumprir, no momento em que os talibãs se preparam para anunciar um novo governo. Entre essas condições, estão que o Afeganistão não sirva de base para o terrorismo, que respeite os direitos das mulheres e dos meios de comunicação, o estabelecimento de um governo "inclusivo e representativo" e que permita o acesso à ajuda internacional.

O diplomata disse ainda que os talibãs devem estar à altura de seu compromisso de permitir que os cidadãos estrangeiros e afegãos "em risco" possam sair do país, depois do fim das retiradas lideradas pelos Estados Unidos, no final de agosto. Ainda segundo Borrell, os países da União Europeia (UE) concordaram em estabelecer uma presença conjunta em Cabul, se as condições de segurança permitirem. Com isso, será possível garantir a retirada do país daqueles afegãos que o bloco ainda não conseguiu embarcar.

"Decidimos coordenar nossos contatos com os talibãs, incluindo uma presença (da UE) em Cabul, se as condições de segurança permitirem. Para retirar as pessoas que desejamos receber, precisamos de um compromisso forte e de um contato forte com as pessoas no poder", disse Borrell.

Ajuda humanitária

Os diplomatas da UE deixaram o Afeganistão e se instalaram nos vizinhos, ou voltaram para seus países de origem. Em relação à ajuda humanitária, Borrell disse que a UE buscará intensificar sua ajuda ao povo afegão, mas julgará as autoridades "de acordo com o acesso que fornecem".

O diplomata espanhol também mencionou a necessidade de continuar, por meio de uma "plataforma política regional", a colaboração com os países vizinhos do Afeganistão. Esta semana, os países da UE se comprometeram a apoiar os países da região na recepção de refugiados em fuga dos talibãs. Com isso, a UE quer evitar uma onda migratória em seu território. Isso ainda não aconteceu, já que Paquistão e Irã acolhem os maiores contingentes de refugiados afegãos.

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