"Vacinagate" no Peru: Ministério Público interroga chefe de ensaios clínicos

"Vacinagate" no Peru: Ministério Público interroga chefe de ensaios clínicos

Além do ex-presidente Martín Vizcarra, mais de 400 pessoas foram imunizadas irregularmente

AFP

Os 470 vacinados estão sob o acompanhamento do MP e do Congresso

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O Ministério Público peruano interrogou nesta quarta-feira o médico responsável pelos testes de uma vacina contra a Covid-19 no país, devido à imunização irregular de 470 pessoas, incluindo o ex-presidente Martín Vizcarra.

O Dr. Germán Málaga, chefe dos ensaios clínicos da chinesa Sinopharm no Peru em 2020, foi interrogado em Lima pela equipe do promotor Ramiro González, que investiga o escândalo conhecido como "Vacinagate" ou "VacinaVIP".

Málaga foi convocado depois que se soube, em 11 de fevereiro, que Vizcarra havia sido vacinado semanas antes de ser destituído e antes da campanha oficial de imunização. Dias depois, autoridades revelaram que 122 funcionários públicos estavam na lista dos vacinados irregularmente, entre eles dois ministros do atual governo interino de Francisco Sagasti, que renunciaram.

As doses aplicadas são parte das 3.200 que o laboratório chinês destinou aos testes em 12.000 voluntários. Málaga não deu explicações convincentes ao Congresso sobre os critérios para a imunização destas pessoas, que incluem sua filha, acadêmicos, empresários, o dono de um restaurante chinês e o núncio no Vaticano.

O médico foi suspenso do cargo de pesquisador da Universidade Peruana Cayetano Heredia em 17 de fevereiro. No mesmo dia, o reitor e dois vice-reitores da instituição, que também foram vacinados, renunciaram.

Málaga também foi questionado por tomar três doses da vacina, em vez das duas do protocolo, e de ter feito o mesmo com outras 30 pessoas. Advogados do governo pediram a prisão preventiva do médico.

Os 470 vacinados estão sob o acompanhamento do Ministério Público e do Congresso, e os opositores de Vizcarra, em campanha para as legislativas de 11 de abril, querem que o Parlamento o desqualifique para cargos públicos por 10 anos.

A maioria foi vacinada em setembro e outubro, sob o mandato de Vizcarra, disse Sagasti em 18 de fevereiro, o que significa que o fizeram antes que a Sinopharm recebesse luz verde em 31 de dezembro.

A vacinação contra a Covid-19 começou no Peru em 9 de fevereiro e por enquanto é destinada apenas a profissionais de saúde. Para incentivar a população, o presidente Sagasti recebeu publicamente a primeira dose no primeiro dia e a segunda na terça-feira.


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