Washington e Riad provocarão "uma guerra total" se atacarem o Irã, diz ministro
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Washington e Riad provocarão "uma guerra total" se atacarem o Irã, diz ministro

Na quarta-feira, Trump deu a entender que não descartava nenhuma "opção" contra o país após os ataques

Por
AFP

Mohammad Javad Zarif enfatizou que Irã não quer uma guerra

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Os Estados Unidos ou a Arábia Saudita desencadeariam uma "guerra total" se atacarem o Irã, considerou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, em entrevista transmitida nesta quinta-feira pelo canal norte-americano CNN, na qual reiterou que seu país não quer "a guerra". "Uma guerra total", respondeu Zarif, com ar sério, ao jornalista que perguntou: "Qual seria a consequência de um ataque militar dos Estados Unidos ou da Arábia Saudita ao Irã?"

"Não queremos guerra, não queremos entrar em um confronto militar. Pensamos que um conflito armado baseado em uma farsa é terrível, mas não temos medo quando se trata de defender nosso território", acrescentou Zarif.

No Twitter, Zarif denunciou nesta quinta-feira a "agitação" orquestrada segundo ele em relação aos recentes ataques a instalações petrolíferas sauditas, a fim de preparar a opinião mundial para uma guerra contra o Irã. "'Ato de guerra' ou AGITAÇÃO em vista de uma GUERRA?", escreveu em resposta a comentários feitos no dia anterior pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

Este último chamou de "ato de guerra" os ataques que visaram no sábado duas importantes infraestruturas petrolíferas do reino saudita e novamente atribuiu ao Irã. Riad declarou, por sua vez, que Teerã "inquestionavelmente patrocinou" os ataques aéreos reivindicados pelos rebeldes huthis do Iêmen, apoiados por Teerã. "É fabricado", disse Zarif à CNN. "Eles querem jogar a culpa no Irã, a fim de fazer algo, e é por isso que digo que é uma agitação para uma guerra, porque é baseada em mentiras e uma farsa", acrescentou.

Desde domingo, o Irã rejeitou repetidamente as acusações americanas e sauditas, responsabilizando-o pelos ataques às instalações do grupo saudita Aramco. Na quarta-feira, no entanto, o presidente iraniano Hassan Rohani descreveu os ataques como um "aviso" lançado pelos "iemenitas" a Riad, que desde 2015 lidera uma coalizão armada no Iêmen contra os rebeldes huthis.

Trump deu a entender na quarta-feira que não descartava nenhuma "opção" contra o Irã após esses ataques. O Irã, que nega armar os huthis como acusam Riad e Washington, denuncia regularmente os ataques aéreos da coalizão no Iêmen, que, segundo a ONU, estão na origem da pior catástrofe humanitária em curso no planeta.