Ação investiga em quatro cidades do RS suposta fraude de ex-diretora financeira de grupo econômico

Ação investiga em quatro cidades do RS suposta fraude de ex-diretora financeira de grupo econômico

Esquema criminoso que causou prejuízo superior a R$ 1 milhão consistia em alterar o código de barras de boletos para uma conta bancária própria

Por
Correio do Povo

Ação é coordenada pela delegada Luciane Bertolletti, titular da DP de Esteio


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A Polícia Civil desencadeou no começo desta quinta-feira a operação Parasita com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro obtido mediante um esquema fraudulento na região Metropolitana de Porto Alegre. Na ação, coordenada pela DP de Esteio, estão sendo cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos municípios de Canoas, Sapucaia do Sul, Sapiranga e Cidreira. Segundo a delegada Luciane Bertolletti, as investigações duraram um ano e meio e identificaram um esquema criminoso que causou prejuízo superior a R$ 1 milhão a um grupo econômico do ramo de logística e construção civil. “As fraudes eram realizadas por uma funcionária que alterava o código de barras de boletos para uma conta bancária própria”, observou.

A principal investigada é uma ex-diretora financeira do grupo econômico, composto por diversas empresas da região e com atuação a nível nacional. Com plena confiança de todos sócios do grupo empresarial, ela tinha a incumbência de gerenciar as contas bancárias de todo o grupo, realizando pagamentos de fornecedores, através de boletos bancários, entre outras atividades. De acordo com a delegada Luciane Bertolletti, a suspeita, de 39 anos, tornou-se a cabeça de uma estrutura criminosa extremamente organizada. “Ela gerava boletos contendo os nomes e dados corretos de fornecedores conhecidos do grupo, em valores compatíveis com os serviços tipicamente prestados por aqueles fornecedores. Contudo, os pagamentos eram realizados em favor de uma conta bancária mantida pela própria investigada, pois ela alterava as linhas do código de barras”, explicou a titular da DP de Esteio. A ex-diretora financeira creditava as quantias principalmente em favor de seu marido e realizava muitos saques e transferências para terceiros.

Já o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ªDPRM), delegado Mario Souza, observou que as fraudes ocorreram entre os anos de 2012 e 2015, período em que foram realizados mais de 100 pagamentos através de boletos fraudados. “Foi averiguado que a investigada creditava as quantias principalmente em favor de seu marido, bem como realizava muitos saques e transferências para terceiros, de maneira que consumiu gradativamente todo dinheiro auferido”, relatou.

Sequestro de veículos e imóveis 

Diligências anteriores, que tiveram com o alvo os bens dos investigados, já haviam sequestrado judicialmente dois de 21 veículos e dois de quatro imóveis, além da quebra de sigilo bancário, fiscal, busca e apreensão de valores, entre outras. Parte do dinheiro, por exemplo, foi utilizada para a compra de dois imóveis em Sapucaia do Sul, em uma transação ilegal, em que mantiveram as propriedades em nome dos antigos donos para ocultar os verdadeiros donos após a aquisição e posse. Estes imóveis foram sequestrados por decisão judicial.

Os agentes apuraram ainda que mais de R$ 240 mil foram destinados para seis diferentes revendas automotivas visando a compra de veículos, sendo que alguns carros teriam sido revendidos a terceiros. Durante as investigações, em uma residência de um dos suspeitos de envolvimento, foram apreendidas uma arma de fogo furtada, camisa e boné com nome da Polícia civil, documentos e cheques.


A operação Parasita mobiliza 45 agentes em 18 viaturas, além de apoio aéreo. Os crimes sob investigação são de lavagem de dinheiro, furto mediante fraude e receptação. A delegada Luciane Bertolletti lembrou “que foi uma investigação longa e com diversos detalhes descobertos pelos policiais civis no esquema organizado pelos criminosos”. Para o delegado Mário Souza, Mario Souza, trata-se de “uma ação contra crimes de lavagem de dinheiro de fundamental importância para buscar a recuperação de prejuízos”.