Carrefour amanhece com portas fechadas e resquícios de protestos

Carrefour amanhece com portas fechadas e resquícios de protestos

Diversos funcionários trabalhavam na limpeza do espaço e também na manutenção de danos estruturais

Jessica Hübler

Pessoas paravam para fotografar ou fazer vídeos da fachada do estabelecimento

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A sede do supermercado Carrefour na avenida Plínio Brasil Milano amanheceu no domingo com as portas fechadas e também com resquícios das manifestações contra a morte de João Alberto por Silveira Freitas. Nas grades externas do estabelecimento ainda era possível observar protestos com frases como "até quando?" e fotografias da vítima. Além disso, tanto na rua quanto na área interna do Carrefour ainda havia diversas pichações contra os envolvidos. 

Mesmo sem atendimento ao público, foi possível observar que diversos funcionários trabalhavam na limpeza do espaço e também na manutenção de danos estruturais. Na manhã de domingo estavam sendo vendidas camisetas com a frase "vidas negras importam", no canteiro em frente ao Carrefour. Além disso, muitas pessoas que passavam pelo local paravam para fotografar ou fazer vídeos da fachada do estabelecimento.

O grupo Carrefour Brasil emitiu novo comunicado oficial sobre o caso. No vídeo, que foi divulgado nas redes sociais do Carrefour e também na televisão, em horário nobre no sábado, o presidente do grupo Carrefour Brasil, Noel Prioux, define o homicídio de João Alberto como "uma tragédia de dimensões incalculáveis". "Cuja extensão está além de minha compreensão como homem branco e privilegiado que sou. Então, antes de tudo, meus sentimentos à família de João Alberto e meu pedido de desculpas aos nossos clientes, à sociedade e aos nossos colaboradores", diz Prioux, no comunicado oficial.

Na sequência a manifestação é do vice-presidente de Recursos Humanos Carrefour Brasil, João Senise. "O que aconteceu em nossa loja não representa quem somos, e nem os nossos valores", afirma. Conforme Senise, 57% dos colaboradores do Carrefour Brasil são negras e negros e mais de 1/3 dos gestores se autodeclaram pretos ou pardos. "Mas estamos conscientes que precisamos de mais ações concretas e efetivas para o fortalecimento da nossa cultura de diversidade", complementa.

A finalização do comunicado ficou por conta de Prioux. Ele reforçou o compromisso com todas as famílias brasileiras e complementou. "Se uma crise como essa está acontecendo conosco é porque temos a responsabilidade de mudar isso na sociedade. A morte de João Alberto não pode passar em vão, por isso assumimos o compromisso de ajudar a combater o racismo estrutural e comunicaremos nos próximos dias todas as nossas iniciativas e um comitê dedicado exclusivamente a esta causa. Mais uma vez minhas sinceras desculpas" finaliza. 

 

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