Coronel Ikeda crê que aumento da violência dos criminosos é reação aos esforços da BM
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Coronel Ikeda crê que aumento da violência dos criminosos é reação aos esforços da BM

Comandante-geral lamentou morte de PM, mas prometeu seguir com os esforços pelo fim da criminalidade

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Correio do Povo e Rádio Guaíba

Comandante-Geral da BM, Mário Ikeda, esteve no local logo do crime após a morte do soldado Gustavo de Azevedo Barbosa Junior

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O comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Mário Ikeda, lamentou, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Rádio Guaíba, a morte do soldado Gustavo de Azevedo Barbosa Junior na madrugada desta quarta-feira ao tentar abordar um veículo ocupado por quatro criminosos. Ikeda revelou que toda a Corporação está abalada com a quarta morte de um colega em serviço nos primeiros sete meses de 2019. Apesar da violência dos criminosos e das baixas na BM, a promessa é de continuidade no esforço na luta contra o crime.

“Embora, todo o sentimento de consternação, esse espírito que tinha o jovem policial, que estava há dois anos e meio de BM, recém-casado, cursando a faculdade de Direito... esse sentimento de cumprir a sua missão constitucional, é o sentimento que nos impele a fazer o nosso serviço, que tem esse risco. Infelizmente, a criminalidade, que é crescente, tem aumentado o seu poder bélico e está reagindo com violência as nossas ações”, lamentou o comandante-geral.

Coronel Ikeda destacou que apesar da tragédia, Gustavo de Azevedo Barbosa Junior agiu dentro dos padrões técnicos estipulados pela BM e teve um procedimento correto na abordagem, porém, ele e o companheiro de guarnição foram recebidos a tiros pelos criminosos. O comandante ainda destacou alguns aspectos positivos que a Corporação tem obtido na luta contra a violência.

“Somente neste ano, a Brigada Militar fez mais de 30 mil prisões em flagrante. Apreendemos mais de cinco mil foragidos e três mil armas. Números muito significativos. Neste caso específico, gostaria de salientar o trabalho que o soldado Junior e do companheiro Nunes, que era o colega que estava na viatura. Em uma noite fria, patrulhando a cidade, viram um veículo, suspeitaram e foram de maneira pró-ativa, diligente, com grande dedicação, fazer a abordagem”, destacou Ikeda.

Segundo Ikeda, foram apreendidas três armas com a numeração raspada que foram abandonadas pelos criminosos no local do crime. A Polícia Civil ouviu a mulher que foi presa para obter a identificação dos outros três criminosos que fugiram, após acertarem com um tiro a cabeça do soldado Junior.

“A BM tem investido em armamentos e equipamentos. Nossos policiais militares têm um poder bélico cada vez maior. O sentimento é de consternação. Todos nós lamentamos, mas o espírito dos nossos policiais que estão no enfrentamento diário a criminalidade em defesa da comunidade continuará”, completou.

Mortes, cercos e ocupação

No dia 25 de abril, o soldado Fabiano Heck Lunkes, de 34 anos, da BM de Cerro Largo, foi atingido por um tiro que atravessou o colete balístico durante cerco em Campina das Missões e acabou morrendo. Os criminosos que mataram Lunkes haviam atacado o Banco do Brasil na área central de Porto Xavier e se refugiram em uma mata. Um homem foi preso e outros dois mortos durante o cerco. Seis pessoas foram denunciadas por tentativa de latrocínio e formação de organização criminosa.

Quase dois meses depois, no dia 26 de junho, os policiais militares Rodrigo da Silva Seixas, de 32 anos, e Marcelo Fraga Feijó, 30, foram mortos a tiros na rua Paulino Azurenha, na zona Leste de Porto Alegre. Os dois também realizavam o patrulhamento da região, quando foram averiguar uma possível ocorrência. Os dois foram alvejados por um homem que estaria no telhado de uma casa.

Nos dias seguintes, a Brigada Militar aumentou o cerco na Vila Maria da Conceição e fez uma ocupação. Na semana passada, três homens foram indiciados pelas mortes e o inquérito foi encaminhado pela Polícia Civil à Justiça. Os suspeitos são líder do tráfico de drogas, gerente e segurança na região da rua Paulino Azurenha.