Deic investiga extorsão mediante sequestro de sócio de empresa acusada de fraude em criptomoeda

Deic investiga extorsão mediante sequestro de sócio de empresa acusada de fraude em criptomoeda

Operação da 1ª Delegacia de Roubos apreendeu computadores, celulares e uma pistola calibre 380

Correio do Povo

Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Canoas, Sapucaia do Sul, Porto Alegre e Campo Bom.

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A 1ª Delegacia de Repressão a Roubos (1ª DR) do Departamento Estadual de Investigações Criminais da Polícia Civil desencadeou na manhã desta quarta-feira a operação Talião que apura um crime de extorsão mediante sequestro na região do Vale do Rio dos Sinos. Houve o cumprimento de mandados de busca e apreensão pela equipe do delegado João Paulo de Abreu em Canoas, Sapucaia do Sul, Porto Alegre e Campo Bom. Computadores e celulares foram recolhidos para análise, além de uma pistola calibre 380.

Conforme o delegado João Paulo de Abreu, a vítima de sequestro, de 47 anos, sócio de uma empresa de investimento em moeda digital, foi arrebatada na manhã do dia 29 de abril deste ano em Novo Hamburgo. Os criminosos exigiram da família, como pagamento pelo resgate, uma quantia de 50 bitcoins, que na época equivalia a cerca de R$ 2,8 milhões. Os valores não foram pagos e a vítima acabou sendo libertada no final da tarde daquele mesmo dia em Canoas.

O trabalho investigativo da 1ª DR apontou cinco envolvidos no sequestro, sendo identificados três deles até o momento. Tratam-se de um policial militar da ativa, um trader que atua no mercado de investimentos e o pai dele. “As investigações apontam que a extorsão mediante sequestro se deu em represália a perda de valores que teriam sido investidos pelos autores em uma empresa, cuja vítima de sequestro era um dos sócios”, explicou o delegado João Paulo de Abreu.

“Destaca-se que a referida empresa fora alvo de investigações pela Polícia Federal, na chamada operação Egypto”, acrescentou o titular da 1ª DR. O delegado João Paulo de Abreu assegurou que a apuração do caso terá prosseguimento para identificar os demais autores do fato.

Egypto

Na operação Egypto deflagrada em maio do ano passado, a Polícia Federal apurou que a empresa atuava como uma instituição financeira sem autorização do Banco Central e que desde fevereiro de 2018 já havia captado cerca de 55 mil clientes de todo o país interessados em investir em criptomoeda. A empresa, com suspeita de ter montado uma pirâmide financeira, ficava em Novo Hamburgo.

Na época, a PF conseguiu o bloqueio judicial de ativos financeiros em nome de pessoas físicas e jurídicas, bem como de dezenas de imóveis, além do recolhimento de 36 veículos de luxo e uma quantia em dinheiro expressiva. Os cinco sócios, sendo dois casais e um homem, foram detidos junto com a esposa do último e outros quatro colaboradores do esquema. A operação totalizou 18 investigados, sendo 13 pessoas físicas e cinco pessoas jurídicas.

Recentemente, a Polícia Federal obteve o bloqueio de US$ 24 milhões em criptoativos, avaliados em mais de R$ 130 milhões, que estavam em uma empresa prestadora de serviços de ativos virtuais nos Estados Unidos. As moedas virtuais pertenciam a um dos sócios do esquema de investimento fraudulento.


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