Denarc indicia 39 criminosos de facção gaúcha na operação Irmandade

Denarc indicia 39 criminosos de facção gaúcha na operação Irmandade

Inquérito foi remetido à Justiça com 21 volumes que somam 4,2 mil folhas

Correio do Povo

Ação teve 407 ordens judiciais cumpridas nas duas fases

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A Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro (DRLD) do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil remeteu à Justiça o inquérito referente à operação Irmandade, cujo alvo foi a facção gaúcha Os Manos. Houve o indiciamento de 39 criminosos, incluindo líderes, gerentes, operadores financeiros, operadores logísticos e laranjas. Seis líderes e gerentes tiveram a prisão preventiva decretada, sendo que três já estão recolhidos. Outros três seguem foragidos, incluindo um baiano e um paranaense.

A ação teve suas duas fases deflagradas este ano, sendo uma em 20 de julho e a outra em 18 de novembro. O procedimento policial totalizou 21 volumes com cerca de 4,2 mil folhas.

Durante o período investigativo, a equipe da DRLD constatou que os milhões em lucros de venda de drogas em diversas cidades gaúchas foram depositados em contas de operadores financeiros e de “laranjas” em outros estados.

No total foram 407 ordens judiciais solicitadas, analisadas e cumpridas com a finalidade de comprovar complexa rede de lavagem de dinheiro, crime organizado e tráfico de drogas. Houve a constatação até de uma aliança desde 2017 entre Os Manos com a facção paulista Primeiro Comando da Capital, o PCC.

A movimentação de ativos ilícitos da organização chegava a R$ 120 milhões por ano através de centenas de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas averiguadas. As transações tinham um fluxo constante de pagamento de drogas e distribuição de lucros entre os alvos em sete estados.

As cidades abrangidas ao longo da operação foram Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul, Estância Velha, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Guaíba, Encruzilhada do Sul, Charqueadas e Santa Cruz do Sul. A ação ocorreu ainda em Itapema e Florianópolis, em Santa Catarina; Foz do Iguaçu, Londrina e Colombo, no Paraná; Ponta Porã e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; Porto Seguro, na Bahia, e Belém, no Pará, além de São Paulo, em São Paulo.

Titular da DRLD, o delegado Adriano Nonnenmacher considerou exitoso o trabalho, visto que “foi colhida vasta prova em relação aos suspeitos, bem como aos ativos e bens objetos de lavagem de dinheiro, imputando indiciamentos e prisões com segurança Jurídica, além de sequestros e indisponibilidades que chegam a R$ 7.5 milhões”.

Já o diretor de investigações do Denarc, delegado Carlos Wendt, ressaltou que chamou a atenção o uso de pessoas jurídicas e o recrutamento de pessoas físicas acima de qualquer suspeita, sem antecedentes ou qualquer vínculo parental com os líderes. Ele destacou que até o momento quase R$ 40 milhões foram indisponibilizados em quase três anos.

Por sua vez, o diretor geral do Denarc, delegado Vladimir Urach, avaliou que a investigação foi complexa e trabalhosa, diante da “expertise das duas células criminosas investigadas, bem como gera efeitos preventivos e pedagógicos à tentativa de instalação de organizações de outros estados no Rio Grande do Sul”.


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