Dono da fazenda em Brotas com búfalos maltratados é preso em SP

Dono da fazenda em Brotas com búfalos maltratados é preso em SP

Luiz Augusto Pinheiro de Souza negou acusação e disse ser vítima de um golpe

R7

Local abrigava 1.056 búfalos e 72 cavalos

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A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta quinta-feira Luiz Augusto Pinheiro de Souza, o dono da fazenda Água Sumida, denunciada por abandonar pouco mais de mil búfalos e cavalos em Brotas, no interior do estado, para supostamente implantar plantações de soja no local. 

Além do crime ambiental, o homem foi denunciado por ameaça, falsificação de documentos e falsidade ideológica. Ele negou as acusações no momento em que foi preso.  Souza estava foragido desde 19 dezembro de 2021, dia em que a polícia pediu sua prisão preventiva.

Um policial militar da reserva que atuava como segurança do local foi preso dias depois, acusado de coagir, junto ao proprietário da fazenda, testemunhas e representantes da ONG que conseguiu a guarda do terreno na Justiça. 

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Em sua decisão, a juíza Marcela Machado Martiniano considerou as denúncias colhidas por investigações policiais que apontaram o proprietário trabalhando para atrapalhar o resgate dos búfalos.

A delegada Ivalda Aleixo, que coordenou as operações de busca, afirmou que o proprietário negou as acusações no momento da prisão e disse ser vítima de um golpe com o objetivo de roubarem sua fazenda. A delegada afirmou que nenhuma evidência da investigação sustenta e tese, que chamou de "absurda".

"Alguns foram enterrados vivos. Isso é muita crueldade. Ele poderia ter clocado em doação, alguém assumiria esses búfalos. E nós vivemos em um país que tem fome. Ele achou por bem abandonar mais de 900 animais", relatou a delegada Aleixo. 

Souza  já havia sido multado em R$ 500 mil reais, depois que mandou mensagem para prefeito de Brotas pedindo para expulsar as Organizações Não Governamentais (ONGs). Ele também já foi multado em R$ 2,1 milhões pela Polícia Militar Ambiental e chegou a ser preso, mas foi solto após pagar fiança.

Outro lado

Na época das investigações e denúncias, o advogado do dono da fazenda, Celso Barbará da Silva, disse que o rebanho de bubalinos sempre foi tratado a pasto, mas as pastagens sofreram as consequências da maior seca em 90 anos que atingiu a região, além de duas geadas sucessivas.

"Com isso, o gado emagreceu, mas não passou fome, pois foi alimentado com ração e outros insumos. Juntamos aos autos (do processo) 48 notas fiscais de alimentos comprados nos últimos meses. No sábado, foram compradas 22 toneladas, mas os funcionários foram impedidos de alimentar os animais pelo pessoal que está lá", afirmou.

Segundo ele, as mortes representam menos de 3% do total de animais e também aconteceram em outras fazendas da região devido à seca. "Nunca houve maus-tratos de animais na fazenda e a liminar que obtivemos dá direito a dez pessoas para acompanhar o trabalho lá, mas não para movimentar o gado como estão fazendo. Tocaram o gado para filmar, com um vereador querendo se aparecer, e os búfalos invadiram áreas arrendadas, plantadas com soja. Quem vai pagar o prejuízo?"

 


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