Facção do Vale do Rio dos Sinos promovia rifas internas de armas para agradar escalão inferior

Facção do Vale do Rio dos Sinos promovia rifas internas de armas para agradar escalão inferior

Investigação da Polícia Civil na megaoperação Kraken apontou sorteios de pistolas e espingardas, além de prêmios em dinheiro

Correio do Povo

Material foi apreendido na ação ocorrida na última terça-feira

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A facção criminosa do Vale do Rio dos Sinos, que foi alvo da megaoperação Kraken da Polícia Civil, promovia rifas internas de armas com munições entre os seus integrantes, inclusive dentro do sistema prisional. Fotos do armamento eram exibidas como atrativos. Havia também sorteios de prêmios em dinheiro. “Eles davam presentes para os escalões mais baixos”, resumiu o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ª DPRM), delegado Mário Souza, na manhã desta segunda-feira. A ação, realizada em conjunto com a 1ª DP de Sapucaia do Sul, ocorreu na última terça-feira. Cerca de R$ 50 milhões em bens e valores da organização criminosa foram alvo.

Uma das rifas, por exemplo, era de uma pistola nove milímetros para o primeiro lugar e uma pistola calibre 380 para o segundo ganhador. Cada número escolhido custava R$ 200,00. Os policiais civis obtiveram a lista dos apostadores em uma folha de caderno.

Outra rifa tinha como prêmio uma espingarda calibre 12 para o primeiro lugar, a quantia de R$ 700,00 para o segundo colocado e R$ 300,00 para o terceiro ganhador. Cada aposta em um número custava R$ 100,00. A listagem também foi apreendida pelos agentes.

"O que temos na investigação relativa à rifa é que realizavam para agradar, fazer um mimo para o pessoal da base, do escalão de rua, da hierarquia menor....", avaliou o diretor da 2ª DPRM. "Tivemos apoio da Superintendência dos Serviços Penitenciários e da Brigada Militar. Identificamos e realizamos as prisões neste contexto das rifas", lembrou.

A megaoperação atingiu o coração financeiro da facção, envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, homicídios e roubos. O grupo criminoso, que planejava até roubar carros de luxo na praia de Jurerê Internacional, no Norte da Ilha de Santa Catarina, adquiria imóveis e automóveis de luxo no RS e SC, além de comprar empresas para conversão de valores e investimentos em bolsas de valores.

O diretor da 2ª DPRM, delegado Mario Souza, anunciou no sábado passado que pretende conseguir que os 102 veículos sequestrados judicialmente sejam transformados em viaturas. Em torno de 50 carros, muitos de luxo, foram apreendidos. Ele e o delegado Gabriel Borges querem saber também quais valores estão depositados nas 190 contas bancárias dos investigados que foram bloqueadas pela Justiça. “Não sabemos quanto têm”, enfatizou.

Na ação foram sequestrados judicialmente ainda 38 imóveis e duas aeronaves, além de 812 quebras de sigilo fiscal, bancário, tributário e bursátil. Com 58 presos, a ação mobilizou 1,3 mil agentes públicos no cumprimento de 1.368 ordens judiciais, incluindo 273 mandados de busca e apreensão e 66 mandados de prisão em 28 cidades no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu ainda em 13 casas prisionais gaúchas e uma penitenciária federal.

Houve a participação da Brigada Militar, Superintendência dos Serviços Penitenciários, Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul, Polícia Rodoviária Federal e Departamento Penitenciário Nacional, além da Polícia Civil de SC, PRF e MS.

A investigação começou no final do ano de 2020. Os policiais civis apuraram que a facção mantinha contatos com organizações criminosas no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, bem como cartéis internacionais na Bolívia e na Colômbia.  

Foto: PC / Divulgação / CP


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