Grupo protesta após pedido do MP para arquivar ação contra PM que matou engenheiro

Grupo protesta após pedido do MP para arquivar ação contra PM que matou engenheiro

Manifestantes realizaram carreata em Porto Alegre com faixas que exibiam pedidos por justiça

Felipe Samuel

Os manifestantes se concentraram no Largo Zumbi dos Palmares

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Ativistas do movimento negro protestaram neste domingo na Capital contra o pedido do Ministério Público para arquivar investigação contra policial militar que atirou e matou o engenheiro Gustavo dos Santos Amaral, em abril deste ano. No pedido de arquivamento, o Ministério Público estadual (MP), argumenta que o brigadiano - que confundiu o celular da vítima com uma arma - agiu em legítima defesa subjetiva. Os manifestantes se concentraram no Largo Zumbi dos Palmares, de onde partiram em carreata com faixas que exibiam pedidos por justiça.

Dezenas de automóveis se deslocaram pelos pontos determinados pela organização do ato:  Ministério Público, Palácio da Polícia e Palácio Piratini. Vários carros exibiam um cartaz com a mensagem 'Gustavo Amaral presente" Irmão da vítima, Guilherme Amaral cobrou melhor treinamento das polícias no Estado e criticou o pedido de arquivamento do caso pelo MP. "Me sinto privilegiado em ter essa voz e com apoio de todos vocês. Muitos e muitas infelizmente não têm esse apoio, os casos acontecem e ficam por isso mesmo", afirma.

Ele reforçou a importância da mobilização contra os excessos cometidos pela polícia. "Através de vocês a gente está representando todos esses que não são ouvidos também", completa. Integrante do coletivo Juntos, Júlio Câmara disse que a manifestação é uma resposta ao arquivamento da investigação. "O MP legitimou a versão da Polícia Civil, que foi legítima defesa imaginária, com policial tendo confundido celular do Gustavo com uma arma. Hoje é uma resposta do movimento negro, junto com a família do Gustavo Amaral, para chamar atenção da sociedade para esses casos", alerta.

Conforme Câmara, o caso envolvendo Gustavo é mais um entre outros que ocorrem no país. "Diariamente jovens negros são assassinados pela polícia. O caso do Gustavo Amaral é gritante, ele estava trabalhando, com os colegas de trabalho. E na ocasião era o único negro que participou da cena", observa. "É um caso que motiva o conjunto do movimento negro a se manifestar e escancarar para sociedade que o caso do Gustavo não é caso isolado", completa.


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