Júri popular condena a mais de 22 anos o homem que mandou matar a mulher em Canoas

Júri popular condena a mais de 22 anos o homem que mandou matar a mulher em Canoas

Andressa Reinaldo Ellwanger Friedrich foi assassinada em 2016 quando chegava em casa

Correio do Povo

Veículo da família foi localizado abandonado e intacto pela Brigada Militar em Sapucaia do Sul após o crime

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O Tribunal do Júri da Comarca de Canoas condenou a 22 anos e 9 meses de reclusão em regime inicial fechado, por homicídio qualificado, o homem que mandou matar a esposa, mediante a simulação de um assalto, em setembro de 2016. A sessão de julgamento, que começou na terça-feira, encerrou-se no início da noite de quarta-feira. O funcionário do acusado, contratado para executar a vítima, recebeu pena de cinco anos de reclusão por homicídio simples, mas o regime inicial será o aberto em função do desconto pelos dias cumpridos em prisão preventiva. O veredito dos sete jurados foi dado pela Juíza de Direito Betina Mostardeiro Mühle de Constantino, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Canoas.

A vítima, a corretora de seguros Andressa Reinaldo Ellwanger Friedrich, 25 anos, foi assassinada na madrugada de 18 de setembro de 2016. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o marido dela não aceitava a possibilidade de separação, o que implicaria na divisão de bens que ele ganhara em herança com a esposa. Ele então tramou a morte dela com um empregado mediante promessa de pagamento. Fingindo ser um assaltante, o funcionário aguardou a chegada do casal coma filha pequena, então com um ano e meio de idade, na residência da família, localizada na Travessa B, perto da estrada do Nazário, no bairro Olaria.

O casal retornava de uma janta em um piquete no Acampamento Farroupilha, no Parque da Harmonia, em Porto Alegre. Um Chevrolet Cobalt LTZ 1.8, de cor branca, era dirigido pelo marido da vítima. O portão estava se fechando quando surgiu o suposto ladrão, de rosto coberto e de boné, armado com uma pistola calibre 380. Estranhamente, o criminoso pediu para o esposo dela ficar com a criança e afastar-se, ordenando então que a vítima retirasse o veículo para fora. Quando ela saiu do carro, ele deu o tiro na cabeça dela, sem que a vítima tivesse esboçado uma reação. Na frente da vizinhança, o marido pediu socorro à mulher, enfatizando que foram atacados por um assaltante. Ela morreu durante atendimento médico no Hospital Nossa Senhora das Graças. O Cobalt foi encontrado abandonado pela manhã pela Brigada Militar na Travessa do Patronato, no bairro Novo Horizonte, em Sapucaia do Sul. O carro estava intacto, inclusive com a bolsa da jovem e um chapéu de gaúcho.

A Polícia Civil investigou inicialmente o crime como se fosse um latrocínio, mas logo em seguida descartou a hipótese e apurou que o caso se tratava de um homicídio. “Não foi algo comum”, admitiu um delegado na época. O corpo da corretora de seguros seria depois sepultado no Cemitério Parque Memorial da Colina, em Cachoeirinha. Familiares, amigos e colegas dela compareceram à despedida fúnebre. Todos recordavam que o casal era muito unido e cultivava as tradições gaúchas. O aniversário de dois anos da filha estava sendo inclusive planejado.


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