Jovem inspirou-se em filme e videogame e usou arma de pressão para quebrar vidraças

Jovem inspirou-se em filme e videogame e usou arma de pressão para quebrar vidraças

Ataques em Porto Alegre, Viamão e Gravataí foram cometidos com ajuda do empregado do pai do rapaz

Correio do Povo

Arma de pressão foi apreendida junto com tacógrafo e caminhão baú

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Além de “diversão”, a Polícia Civil descobriu que os ataques de vandalismo contra vidraças de estabelecimentos comerciais e bancos em Porto Alegre e Região Metropolitana, tiveram também algumas influências. Os atentados foram cometidos por um jovem, de 21 anos, que realizou disparos de esferas de aço com uma arma de pressão. Conforme a investigação, o rapaz buscou inspiração no filme “Onde os fracos não têm vez”, de Joel Coen e Ethan Coen, com Tommy Lee Jones, Javier Bardem e Josh Brolin no elenco, produção de 2007, além de alguns jogos de videogame.

O jovem efetuava os disparos da janela do caminhão baú Ford Cargo, de cor branca, de propriedade do pai, dono de uma empresa familiar de fretes em Gravataí. O veículo era conduzido por um funcionário, de 35 anos, que alegou não ter impedido os ataques por ter sido ameaçado de demissão pelo filho do patrão. O caminhão, o tacógrafo e a arma de pressão já foram apreendidos pelos policiais civis.

A investigação constatou com exatidão quando os atentados foram praticados: ao longo da última terça-feira, quando o jovem e o motorista realizavam as entregas. Na entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta-feira no Palácio da Polícia, na Capital, o diretor da Divisão Judiciária de Operações (DJO) da Polícia Civil, delegado Rodrigo Reis, observou que o caminhão baú saiu na manhã de terça-feira de Gravataí e passou por Canoas, Porto Alegre e Viamão, antes de retornar de noite para a empresa. Durante todo este itinerário, entre um serviço e outro, o rapaz efetuava os tiros ao avistar as vidraças dos estabelecimentos fechados no caminho.

“O jovem confessou que realizou alguns danos, mas sobre os demais, embora negue que tenha realizado, apenas confirmou que passou na frente ou nas proximidades. O itinerário dele foi identificado por meio de câmeras de vigilância, de cercamento eletrônico e de testemunhas”, declarou o delegado Rodrigo Reis, frisando que as imagens comprovam “que ele esteve naquele horário e local de cada dano praticado”.

De acordo com o diretor da DOJ, o próximo passo do trabalho investigativo é “ouvir as vítimas e colher o máximo possível de provas com outras imagens de câmeras e de celular”. O delegado Rodrigo Reis apontou ainda que o cálculo dos danos ainda está sendo feito. Ele estimou, como exemplo, que os prejuízos com vidraças quebradas em Porto Alegre devem ultrapassar mais de R$ 100 mil.

Já a titular do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegada Adriana Regina da Costa, afirmou que os dois suspeitos foram ouvidos na quinta-feira, na presença de advogado. “O jovem reconheceu o que fizeram, mas nega participação em alguns ao ser questionado sobre cada ataque, endereço por endereço”, recordou.

“O rapaz foi questionado sobre a motivação e disse que foi por mera diversão, alegria, sensação de diversão, superioridade e prazer”, contou a diretora do DPM. “O pai alega que o filho tem problemas psicológicos, como ansiedade e depressão, e que faz tratamento com medicação”, acrescentou a delegada Adriana Regina da Costa.

O último levantamento do DPM feito nesta manhã apontou 43 ocorrências formalizadas nas delegacias e outras 21 sem registros até o momento, totalizando 64 casos. Presente na entrevista coletiva, a Chefe de Polícia Civil, delegada Nadine Anflor, reforçou “a importância da denúncia e do registro das ocorrências” pois permitiu que a Polícia Civil pudesse “traçar o itinerário e começar a investigação”, apresentando nesta sexta-feira “a autoria e com provas da materialidade de todos estes crimes”.

Sem antecedentes criminais, o jovem e o motorista vão responder em liberdade os dois inquéritos abertos, sendo um procedimento sobre as ocorrências de Porto Alegre e outro referente aos casos da Região Metropolitana. Os inquéritos, possivelmente por dano qualificado e até por lesão corporal, têm prazo de encerramento até o final deste mês.

Foto: PC / Divulgação / CP


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