Julgamento do Caso Bernardo exigiu logística diferenciada em Três Passos
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Julgamento do Caso Bernardo exigiu logística diferenciada em Três Passos

Foram 14 testemunhas arroladas e 11 ouvidas, após as desistências

Por
Henrique Massaro

Júri condenou os quatro acusados pelo crime contra o menino Bernardo Uglione

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O júri popular que condenou os acusados pela morte do menino Bernardo Uglione se tornou histórico para a justiça gaúcha não só pela comoção em torno do caso, mas pela complexidade e pelo tamanho do processo. Os cinco dias de julgamento no Fórum de Três Passos exigiram grande estrutura de comunicação, segurança, mas também de logística. Foram 14 testemunhas arroladas – 11 ouvidas, após desistências -, além de sete jurados formando o Conselho de Sentença, em regime de incomunicabilidade. Ao longo da semana, nenhuma dessas pessoas, isoladas em hotéis, podia ter contato com o que acontecia do lado de fora.

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A maneira de garantir isso foi através do trabalho de oficiais de justiça. Augusto Alves, um deles, saiu de Novo Hamburgo ainda no domingo, para atuar no julgamento. Era o seu primeiro júri popular dessa proporção, apesar de ter tido treinamento para isso e fazer parte de suas funções. Ele ficou os três primeiros dias em Tenente Portela, município próximo de Três Passos, acompanhando testemunhas de defesa. Ao longo desse tempo, precisava garantir que não houvesse comunicação com o meio externo. Elas não tinham televisão, rádio, jornal ou celular e não podiam fazer nenhuma pergunta ou comentário relacionado ao processo.

“É um trabalho bem desgastante, eram 24 horas por dia, praticamente. Mas se nós estávamos estressados, para eles era muito pior”, explicou Alves, que, no início da tarde de sábado, voltava para Novo Hamburgo. Após terminar de acompanhar as testemunhas, o oficial de justiça ficou todo o restante do julgamento junto dos jurados que compunham o Conselho de Sentença, inclusive tendo que dormir no quarto com um deles para garantir a sua incomunicabilidade. Apesar das dificuldades do isolamento, como falta de contato com familiares, ele explicou que os jurados se mantiveram tranquilos. “Eles se mostraram muito conscientes do seu trabalho e da importância que eles tinham”, comentou. De acordo com ele, para os oficiais de justiça também foi momento de aprendizado com a nova experiência.