Médica sequestrada em Erechim é libertada de cativeiro no Paraná

Médica sequestrada em Erechim é libertada de cativeiro no Paraná

Três criminosos, presos na ação policial, pediram resgate de R$ 2 milhões que não foi pago

Correio do Povo

Secretaria da Segurança Pública divulgou vídeo do reencontro da vítima com o pai e familiares

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Agentes da 1ª DP de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil, resgataram a médica ginecologista Tamires Gemelli da Silva Mignoni, 30 anos, do cativeiro onde estava sendo mantida refém em casa na cidade de Cantagalo, no Paraná. A ação, ocorrida no final da noite de quarta-feira, teve apoio da equipe do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) da Polícia Civil do PR. Em entrevista na manhã desta quinta-feira ao Correio do Povo, a Chefe de Polícia Civil, delegada Nadine Anflor, parabenizou a integração entre os policiais gaúchos e paranaenses. As investigações tiveram a participação também da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Erechim.

A médica havia sido sequestrada no final da manhã da última sexta-feira, após deixar o trabalho em uma unidade básica de saúde do bairro Aldo Arioli, em Erechim. Ela é filha do prefeito Berto Silva, do município paranaense de Laranjeiras do Sul. 

Três criminosos foram presos. Tratam-se de dois homens e uma mulher. O suspeito de ser o mentor do sequestro da médica é um vigilante que trabalhava na agência do Banco do Brasil em Laranjeiras do Sul, mas encontrava-se de licença saúde desta a quarta-feira. “Ele foi preso minutos antes do resgate”, recordou a delegada Nadine Anflor. Um taxista e uma dona de casa, residentes na mesma cidade, foram identificados como os responsáveis pelo arrebatamento da vítima em Erechim. Ambos foram capturados também, sendo que a mulher em Cantagalo, perto do cativeiro.

Após o arrebatamento, a vítima foi sendo trocada de veículos no caminho para o Paraná, após a Chevrolet Equinox dela ser abandonada na saída de Erechim. “Os sequestradores levaram ela primeiro para Itá (SC), Chapecó (SC) e depois para Laranjeiras do Sul ou foram direto para Cantagalo”, explicou. A chegada no Paraná ocorreu na segunda-feira.

“Pode ter pelo menos mais um envolvido”, adiantou a delegada Nadine Anflor. “Nos parece em princípio que são amadores”, avaliou. “Eles pediram R$ 2 milhões de resgate, mas não foi pago”, assegurou. “Tudo leva a crer que realmente foi um crime patrimonial”, assinalou.

A Chefe de Polícia Civil revelou ainda que foram empregadas modernas técnicas de investigação e de inteligência policial para elucidar com êxito o caso. Ela destacou que, durante as investigações, várias equipes realizaram diligências no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, seguindo os “rastros”. A desconfiança de que os sequestradores seriam paranaenses ao invés de gaúchos surgiu a partir de um pedido inusitado feito pelos criminosos. “Eles exigiam que a família voltasse para o Paraná. Eles não queriam negociar aqui…”, destacou.

As negociações, envolvendo três telefonemas efetuados ao longo do período, foram conduzidas então pelo delegado João Paulo de Abreu, titular da 1ª Delegacia de Roubos do Deic, e com apoio do delegado Cristiano Quintas, do Grupo Tigre do Paraná. “A Polícia Civil deu todo o suporte à família que agradeceu muito”, frisou a delegada Nadine Anflor. “Uma motivação política não se confirmou”, ressaltou, referindo-se ao fato do pai da vítima ser prefeito.

Já o diretor do Deic, delegado Sandro Cajal, enfatizou que o principal foco foi “salvar a vítima” e que “ela saísse ilesa”. Ele citou também o apoio da Brigada Militar e da Polícia Rodoviária Federal nas buscas pela vítima em território gaúcho. Os policiais civis gaúchos, confirmou, estão retornando com os três sequestradores presos para Erechim. As investigações terão prosseguimento.

Ao ser abordada pela dupla de sequestradores, Tamires Gemelli da Silva Mignoni foi levada em um primeiro momento no próprio Chevrolet Equinox. Imagens de uma câmera de monitoramento mostraram a médica deixando o local e caminhando até o veículo estacionado. O Equinox apareceu abandonado no mesmo dia em um local distante em torno de seis quilômetros do posto de saúde, perto da saída da cidade.

Dias depois, o pai da médica, o prefeito Berto Silva, divulgou nota oficial. “Com o coração dilacerado e envolvido num sentimento de angústia que não cabe mais no meu peito, me dirijo à população de Laranjeiras do Sul para agradecer as manifestações de carinho”, postou nas redes sociais. Ele pediu que não fossem repassadas “informações inverídicas’ sobre o caso e que “o sensacionalismo e as notícias falsas só atrapalham neste momento”.

Abatida mas ilesa, a filha foi recebida depois pelos pais, amigos e vizinhos com muita emoção e choro ao chegar sob escolta policial em Laranjeiras do Sul. Antes, a médica já havia posado para fotos com os policiais que efetuaram o resgate. Após a libertação dela, o prefeito fez nova postagem. “Valeram as orações. A Tamires acaba de ser libertada pelos grupos DEIC e TIGRE. Nossa menina está voltando pra casa”, redigiu Berto Silva.

Durante o período em que durou o sequestro, o Correio do Povo não divulgou nada sobre o caso, a pedido da Polícia Civil, para não prejudicar as investigações e colocar em risco a vida da vítima em poder dos criminosos.

 

 


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