Morador de Viamão diz que região onde ocorreu chacina é tensa: "É tiro sem parar"

Morador de Viamão diz que região onde ocorreu chacina é tensa: "É tiro sem parar"

Sete pessoas foram mortas no bairro Parque Índio Jari, limite com Porto Alegre

Correio do Povo

Brigada Militar reforçou o efetivo na área

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Durante a manhã desta terça-feira, as ruas do bairro Parque Índio Jari, em Viamão, envoltas pelo nevoeiro, estavam praticamente desertas, silenciosas. As poucas pessoas que se deslocavam para o trabalho ou algum outro compromisso não queriam conversar sobre a chacina ocorrida na madrugada, quando sete pessoas foram executadas em ruas do bairro.

Um morador da área, no entanto, fez um desabafo com a garantia de não ser identificado. "A região é muito tensa. É muito difícil sair com tranquilidade aqui. A galera está em guerra. É tiro, tiro e tiro sem parar. Aqui é uma região de tráfico intenso. Tem de um lado, tem de outro”, relatou.  Ele comentou ainda que escutou os disparos, mas lembrou que "não chegou a se preocupar" pois “é uma coisa que se ouve com frequência”. O morador contou também que os grupos rivais de tráfico de drogas não apenas entram em confronto pelo domínio das bocas de fumo, mas cometem até assaltos contra quem reside no território contrário, citando inclusive casos de estupros de jovens. “O pessoal encobre”, admitiu, referindo-se ao silêncio da comunidade em repassar informações às autoridades.

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Em consequência desse silêncio, a violenta madrugada no bairro surpreendeu a área da segurança pública. A titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Viamão, delegada Caroline Jacobs, observou que existe o tráfico na região, mas não “uma disputa com homicídios e feridos”.

De acordo com ela, a região “estava mais tranquila que outras” e que “atualmente não estava dando este tipo de crime”. Recordou que o mês de junho registrou apenas três homicídios em toda a cidade. Sem detalhar muito o que já está sendo apurado pelas investigações, a delegada Caroline Jacobs revelou que permanece uma incógnita se foram os mesmos atiradores que estiveram nos três endereços ou foram grupos separados.

“Com certeza pode-se dizer que têm relação com a disputa pelo tráfico de drogas”, confirmou, acrescentando quer uma das mulheres mortas usava tornozeleira eletrônica. O trabalho investigativo da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Viamão incluirá a identificação do passado de cada vítima, coleta de depoimentos de familiares e testemunhas, algumas das quais estavam nas residências, além de possíveis imagens de câmeras de monitoramento no bairro, entre outras diligências.




A chacina

Sete pessoas foram executadas em três locais distintos do bairro. Na rua Guarapari, duas mulheres e um homem foram mortos dentro de uma residência. Na rua Professor Cabral Freitas, uma mulher e um homem foram alvo de disparos em outra casa. Na rua Araranguá, um homem foi baleado na via pública. Uma das vítimas chegou a ser socorrida e encaminhada com vida para uma unidade de pronto atendimento de saúde, mas não resistiu aos graves ferimentos e faleceu no atendimento médico. A Brigada Militar e a Polícia Civil foram mobilizadas na ocorrência. Os locais de crime permaneceram isolados para a perícia do Departamento de Criminalística. Depois, os corpos foram recolhidos depois pelo Departamento Médico Legal.

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