Moradores relatam furtos e invasões de imóveis na Cidade Baixa, em Porto Alegre

Moradores relatam furtos e invasões de imóveis na Cidade Baixa, em Porto Alegre

Efetivo do 9º BPM possui as imagens dos suspeitos e estão nas buscas dos criminosos

Correio do Povo

Imagens de câmeras de monitoramento dos prédios registraram algumas das ações dos criminosos

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A Brigada Militar está tratando como prioridade a situação do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, cujos moradores e comerciantes relatam furtos, arrombamentos e invasão de imóveis desde o final de maio e sobretudo em junho.

“A BM está ciente do problema e está tratando o assunto em conjunto com a comunidade. Com a Polícia Civil tem realizado, desde o início das ocorrências, ações de inteligência, analisando as imagens de vídeos a fim de identificar os suspeitos e, posterior, prisão”, afirmou nesta sexta-feira o comandante do 9º BPM, tenente-coronel Fernando Gralha Nunes. 

“Além disso, o batalhão tem intensificado o patrulhamento ostensivo no bairro, inclusive com o emprego das Forças Táticas nas operações de abordagens no período noturno”, acrescentou. Ele lembrou que o efetivo do 9º BPM já possui as imagens e características dos suspeitos, e estão nas buscas dos criminosos. 

O tenente-coronel Fernando Gralha Nunes constatou ainda que “na maioria das vezes os autores desses furtos e arrombamentos, quando presos em flagrante, acabam respondendo em liberdade, haja vista não haver violência ou grave ameaça, logo, não ficam presos preventivamente durante o processo”.

Na avaliação do comandante do 9º BPM, o fato “acaba favorecendo a reincidência, trazendo, assim, uma maior sensação de impunidade”. O oficial destacou também a “intensa integração com a comunidade” e enfatizou a importância das vítimas registrarem os delitos na Polícia Civil para dar início às investigações.

Imagens de câmeras de monitoramento dos prédios, já em poder da BM, registraram algumas das ações dos criminosos. Um dos ladrões mais atuantes, sempre com uma mochila, tem se aproveitado da fragilidade das fechaduras magnéticas para entrar nos edifícios. 

“Verifica-se nos vídeos que o suspeito tem conseguido abrir, com certa facilidade, as fechaduras magnéticas dos portões dos condomínios, motivo pelo qual recomendamos ações complementares de reforço na segurança física dos prédios e residências que utilizam esse tipo de fechadura”, orientou o tenente-coronel Fernando Gralha Nunes.

Ele frisou que a comunidade, em qualquer informação de suspeitos, deve fazer contato com a 2ª Companhia do 9º BPM nas 24 horas por dia ou com o 190 da BM que “prontamente despachará uma viatura mais próxima”.

Conforme o comandante do 9º BPM, o primeiro semestre deste ano registrou uma queda nos indicadores criminais na região do Centro e da Cidade Baixa. “Porém, por ocasião desta pandemia do coronavírus, houve uma redução significativa de pessoas circulando nas ruas, e isso acaba favorecendo a ação destes indivíduos, que geralmente furtam objetos deixados no interior dos condomínios”, concluiu.

Alerta

As entidades de moradores e comerciantes estão em alerta diante da situação e mantém contatos diretos com a Brigada Militar. Ruas como da República, Olavo Bilac, Lopo Gonçalves, José do Patrocínio e Lima e Silva foram algumas das mais visadas. 

A presidente do grupo Vizinhança na Calçada, Carla Santos, confirmou que tem recebido vídeos com imagens de câmeras de monitoramento dos edifícios nas quais mostram os invasores. Além do criminoso “gordinho e calvo”, ela citou a existência de um outro ladrão costumeiro na área que “é mais alto e magro”. Carla Santos também destacou a necessidade de que seja feita a ocorrência policial. “Com isso fica mais fácil colocá-los atrás das grades”, assegurou.

Já a presidente da Associação dos Moradores Unidos da Cidade Baixa, Alexandra Canseco, avaliou que o problema surgiu com a pandemia do novo coronavírus, onde as ruas ficaram vazias e os bares fecharam. Ao invés de assaltos, supôs ela, os criminosos “arrumaram outro tipo de crime”.

Com relatos recebidos de vários arrombamentos de prédios comerciais e residenciais, ela revelou que todos estão sentindo-se impotentes.“Está difícil”, desabafou. Ela citou casos de computadores e televisores entre os alvos.

Vítimas 

Um dos ataques foi vivenciado por uma jovem de 18 anos, moradora da rua Lima e Silva, que teve invadido o apartamento no primeiro andar, no final de maio passado.

A mãe dela contou à reportagem do Correio do Povo que estava trabalhando e a filha ficou sozinha. “Uma janela ficou entreaberta. O ladrão pulou a grade do prédio e escalou, soltou a rede de proteção, entrou e acendeu a luz no meu quarto”, relatou. 

As duas gatas da família se esconderam de medo, mas duas cadelinhas começaram a latir para o invasor. “Ele foi na sala e na cozinha, pegou uma faca, revirou todo meu guarda-roupa, pegou dois notebook e colocou em uma sacola. Ele não deveria estar sozinho”, declarou. Ela acrescentou que a filha, escondida sob uma escrivaninha no outro quarto, ligou. “Me apavorei e liguei para a BM. Vim correndo”, lembrou. 

A mãe da jovem acredita que as duas cachorrinhas impediram que o quarto da filha fosse vasculhado. Com a chegada do 9º BPM, ela explicou que o ladrão fugiu pela janela da sala com acesso ao pátio interno do imóvel e, após abrir um buraco na grade do prédio vizinho, escapou por um outro edifício. Na pressa, ele acabou levando cerca de R$ 1 mil em dinheiro e um anel de brilhante, além de ingressos de shows.

Já a síndica de um prédio “visitado” duas vezes na mesma semana em junho, situado na rua Olavo Bilac, contou que teve de reforçar todo o esquema de segurança, após as invasões. “Investimos bastante e deixamos de fazer outras coisas”, explicou.

Houve troca de cerca elétrica e de fechadura, além da colocação do sistema de videomonitoramento por toda a parte, no break e travas de segurança nos portões. “Foi um investimento robusto. Precisamos ter segurança por que está bem complicado”, resumiu.


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