MP investiga número de estabelecimentos envolvidos em esquema de venda de carne de cavalo em Caxias

MP investiga número de estabelecimentos envolvidos em esquema de venda de carne de cavalo em Caxias

Seis pessoas foram presas durante a operação Hipo

Lucas Eliel

Operação Hipo foi deflagrada nesta quinta-feira

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A partir da realização da operação Hipo, o Ministério Público do Rio Grande do Sul investiga o número de estabelecimentos que estariam envolvidos na comercialização de carne de cavalo em Caxias do Sul. Segundo o coordenador do Gaeco - Segurança Alimentar, Alcindo Luz Bastos Filho, a suspeita é de que parte considerável das hamburguerias vendia produtos feitos de maneira ilegal. 

"Isso é uma informação que nós obtivemos informalmente. A gente vai ter que confirmar, até porque nos assusta um pouco. Uma dessas lancherias, que teve a presença de equino confirmada, (deu a informação) de que 60% das hamburguerias de Caxias do Sul comprariam desse pessoal", relatou Filho. A porcentagem citada durante a entrevista coletiva parte de uma relação localizada no cumprimento de uma das ordens oficiais do MP. "Em um dos mandatos de busca, havia uma listagem de 17 estabelecimentos de Caxias do Sul que, em tese, adquiririam essa carne de cavalo", acrescentou. Não foi definido ainda, conforme o coordenador, desde quando o esquema ilegal existe. "Hoje, informalmente, um deles (presos na operação) disse que seria sete meses, mas a gente acha que é bem mais. Pelas informações que a gente recebeu da denúncia inicial, já se fala em anos", destaca.

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A operação Hipo cumpre hoje seis mandados de prisão preventiva, 15 de busca e apreensão referentes a oito alvos a cidade. Após testagens, duas hamburguerias tiveram a confirmação da presença de carne de cavalo, segundo a investigação. Alcindo Filho explicou que ainda não está claro se os estabelecimentos que tiveram a confirmação da existência de carne de cavalo nos produtos sabiam ou não completamente da origem do alimento. No entanto, os locais não estavam de acordo com lei, pois teriam adquirido mercadorias sem nota fiscal. 

Coordenador do Gaeco durante coletiva hoje na sede do MP em Caxias | Foto: Tiago Coutinho / MP-RS / CP

A apuração que deu origem à ofensiva de hoje começou há dois meses, a partir da descoberta de uma propriedade rural na localidade caxiense de Forqueta. No local onde ocorriam os abates, foram encontradas péssimas condições de higiene. Conforme estimativas iniciais da investigação, eram produzidos de 150 a 180 quilos de carne de cavalo por dia. "Nós detectamos que eram animais comprados a baixo custo, às vezes por R$ 100, de viciados em drogas, de alguns carroceiros", ressaltou. A Vigilância Sanitária de Caxias do Sul foi acionada e fará a inspeção nos 17 locais que foram listados como suspeitos de participar do esquema, de acordo com o MP.

Presos 

Das seis pessoas presas, as investigações apontam que três eram responsáveis pelo abate clandestino e beneficiamento da carne sem procedência: uma mulher atuava como “telefonista”, tendo conhecimento das práticas criminosas e auxiliando a família no esquema; um homem recolhia os restos de comida dos estabelecimentos para alimentação de suínos e é considerado pelo Gaeco peça importante no abate e no comércio clandestino de carnes. 

Outro homem também seria o responsável principal pela comercialização da carne na forma de hambúrgueres e bifes para restaurantes. Ele seria o elo do grupo criminoso com os clientes. Outros dois teriam a função de confeccionar os hambúrgueres e encontrar e comprar os cavalos que seriam abatidos.


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