MPSC denuncia autor do ataque à creche que deixou cinco mortos em Saudades

MPSC denuncia autor do ataque à creche que deixou cinco mortos em Saudades

Jovem poderá ser julgado por 19 homicídios triplamente qualificados, sendo cinco homicídios consumados e 14 tentados

Correio do Povo

Ação penal pública foi encaminhada à Justiça

publicidade

O autor do ataque à creche infantil que deixou cinco mortos na manhã do dia 4 deste mês na cidade de Saudades, em Santa Catarina, foi denunciado pelo Ministério Público. Na ação penal pública encaminhada à Justiça, o MPSC pede que Fabiano Kipper Mai, 18 anos, seja julgado pelo Tribunal do Júri por 19 homicídios triplamente qualificados, sendo cinco homicídios consumados e 14 tentados. Com a prisão preventiva decretada, o jovem deve permanecer no presídio até a data do julgamento.

“Um crime vil e cruel praticado por motivo torpe, contra crianças menores de dois anos e educadoras que não tiveram a mínima chance de se defender, vítimas de um homem covarde que planejou as mortes durante 10 meses”, enfatizou a instituição em nota oficial. A denúncia foi apresentada pelos promotores de Justiça Douglas Dellazari, responsável pelo caso, e Júlio Locatelli, designado para colaborar no inquérito.

As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público envolveram inclusive a quebra do sigilo de dados do computador do denunciado e do telefone celular dele. “A única motivação do autor foi a busca de fama”, diz a nota. “Os relatórios dos dados e das informações obtidas pela quebra do sigilo dos aparelhos eletrônicos demonstram que, durante o período em que planejou o ataque, o homem participou de fóruns de discussão na internet sobre crimes violentos, pesquisou serial killers e tentou comprar armas de fogo”, frisa.

Segundo o promotor de Justiça, Douglas Dellazari, o autor do ataque à creche Pró-Infância Aquarela pesquisou sobre a volta às aulas presenciais na cidade de Saudades e sobre o próprio estabelecimento infantil. Fabiano Kipper Mai procurava “o alvo mais fácil para executar o seu plano, pois ele não conseguiu comprar armas de fogo, apenas facas”.

“Isso comprova que ele agiu de forma cruel e covarde além de ter premeditado o crime de maneira a reduzir as chances de defesa das vítimas. As investigações apuraram que ele pesquisou também sobre chacinas cometidas em escolas com o uso de facas e outras armas brancas”, enfatizou o MPSC.

No ataque, duas educadoras e três crianças morreram, além de uma quarta criança que foi gravemente ferida e sobreviveu após ser socorrida e levada ao hospital. Para o MPSC, o denunciado “tentou matar outras 14 mulheres e crianças, que só escaparam do massacre porque ele não conseguiu entrar nas salas em que essas pessoas estavam, mesmo após diversas tentativas de arrombamento de portas e janelas”. Ele tentou matá-las, mas “as mulheres que cuidavam das salas conseguiram bloquear portas e janelas e uma, inclusive, ficou ferida ao evitar a entrada do assassino por uma janela”.

As vítimas foram a professora Keli Adriane Aniecevski, 30 anos; a agente educadora Mirla Amanda Renner Costa, 20 anos; além dos bebês Sarah Luiza Mahle Sehn, de um ano e sete meses; Anna Bela Fernandes de Barros, de um ano e oito meses; e Murilo Massing, de um ano e nove meses. Todas foram golpeadas até a morte dentro da creche Pro-Infância Aquarela, na manhã do dia 4 deste mês, na cidade de Saudades, na região Oeste de Santa Catarina.

PREVENÇÃO

Já o Procurador-Geral de Justiça de SC, Fernando da Silva Comin, manifestou solidariedade do MPSC “às famílias das vítimas e à comunidade atingida pela tragédia" e garantiu que as medidas "em fase de implantação para prevenir e combater esse tipo de violência”. Ele anunciou que a instituição irá conhecer de perto a experiência do Ministério Público de São Paulo, que criou um grupo especial para investigar e combater os crimes cibernéticos. Outra preocupação dele foi com relação ao projeto de alteração do Código de Processo Penal, que apresenta propostas que tornarão mais restrita a atuação dos Promotores de Justiça no Tribunal do Júri e poderão aumentar a impunidade em crimes.


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895