Pai de João Alberto volta a pedir justiça e busca reparação pela morte do filho

Pai de João Alberto volta a pedir justiça e busca reparação pela morte do filho

João Batista Rodrigues Freitas disse ter recebido ligação de funcionário do Carrefour nessa sexta

Aristoteles Junior / Rádio Guaíba

"A vida do meu filho não vai voltar, mesmo", disse pai da vítima

publicidade

Torcedor do São José, João Alberto Silveira Freitas é velado sob uma bandeira do clube de coração e rodeado de amigos e familiares. A cerimônia, íntima, acontece longe da presença dos manifestantes no Cemitério Municipal São João – próximo à unidade do Carrefour que foi cenário do assassinato do homem, negro, por dois seguranças brancos.

O pai da vítima, João Batista Rodrigues Freitas, de 65 anos, voltou a pedir por Justiça durante as últimas homenagens. Segundo ele, a busca por uma reparação à morte do filho tem como principal objetivo o futuro dos netos. “Puro racismo. Ninguém agride uma pessoa com tanta violência assim sem ter motivo”, argumenta.

Emocionado, o aposentado lamentou que os protestos por igualdade racial só aconteçam após fatos como a morte de João Alberto. “Eu queria que esses movimentos nascessem das salas escolares. Sem agredir ninguém. A vida do meu filho não vai voltar, mesmo. Alguma coisa há de servir pelos outros”, afirma.

João Batista relata que, na sexta-feira, recebeu a ligação de uma pessoa que diz ser representante do Carrefour no Brasil. Sem entrar em maiores detalhes, revelou que recebeu uma proposta financeira do suposto funcionário. “Me ofereceram uma insignificância. Eu, na maneira que estava, respondi que preferia aguardar”, diz.

“Ele frequentava o mercado todos os dias”

Flávio Jones Flores Machado, primo do Beto, relembrou a rotina do familiar. “Ele frequentava o mercado quase todos os dias. Uma das caixas (do Carrefour) chegou a me dizer que ia pedir demissão, inclusive, porque ela não ia trabalhar em um lugar que fazia isso com um cliente que, assiduamente, estava por lá”, conta.

Flávio é apenas um ano mais novo que João Alberto, e diz ter passado toda a infância ao lado da vítima do assassinato, registrado na noite da quinta-feira. Ele estava entre as 20 pessoas presentes no velório, que contou com a celebração de uma missa em homenagem à vítima como ato de encerramento.


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895