Perito diz que assinatura não foi feita por Leandro Boldrini
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Perito diz que assinatura não foi feita por Leandro Boldrini

Profissional foi contratado pela defesa do pai do menino Bernardo

Por
Henrique Massaro

Profissional foi contratado pela defesa do pai do menino Bernardo

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O perito Luiz Gabriel Passos, contratado pela defesa de Leandro Boldrini, usou uma tela com um projetor para os jurados e a promotoria terem uma visão das assinaturas, disse ter se debruçado, por exemplo, sobre características da assinatura utilizada na receita do Midazolam, que seria o remédio utilizado no assassinato de Bernardo, e procurou mostrar que a grafia não obedecia a padrões de outras assinaturas do médico. 

O perito mostrou, em um dos momentos, o que seria “ponto anormal de parada”, que não existiria em outras assinaturas do médico. Ele afirmou que flagrou o detalhe com auxílio de microscópio, pois a olho nu o carimbo o esconde. A avaliação serviu para embasar a afirmação de que a assinatura não era de Leandro Boldrini. “No momento que encontramos sete hábitos gráficos da assinatura de Leandro Boldrini e nenhum deles se encontra na rubrica questionada, não tem outra conclusão a fazer senão que a assinatura questionada não proveio do punho do médico. Foi uma imitação”, afirmou o perito. 

O laudo, porém, chegou a ser questionado pelo promotor do caso. A testemunha e o promotor de Justiça chegaram a discutir por alguns momentos. Foi necessária a intervenção da juíza para que os ânimos ficassem mais calmos. Mais algumas explanações e a sessão foi interrompida.

"O doutor não fez nada contra o filho"

No terceiro dia de julgamento do assassinato de Bernardo Boldrini foram ouvidas três testemunhas de defesa na parte da manhã. Outros três depoimentos que estavam previstos foram dispensados. O primeiro a falar foi Luiz Omar, que trabalhou para o pai do menino. Ele explicou que prestava serviços gerais em uma propriedade rural adquirida por Leandro Boldrini, quando ele ainda era casado com Odilaine Uglione, mãe de Bernardo. O ex-funcionário disse que se sentia grato ao patrão por este ter atendido ao seu filho gratuitamente. “Se ele tivesse feito alguma coisa contra o Bernardo, eu narraria sem problema”, afirmou Omar. O momento tenso ocorreu quando a testemunha comentou sobre o passado da mãe de Bernardo. A manifestação foi interrompida pela juíza que questionou se eram “fofocas”. A testemunha afirmou que “não eram fofocas”.

 
Novo momento de tensão ocorreu quando o advogado de Edelvânia, Jean Severo, chegou a chamar a testemunha de “mentirosa”. Omar havia pedido para o representante da ré parar de gritar e este se exaltou mais. “Liga pra comissão da OAB”, disse antes de sair da sala. 

A segunda testemunha foi a professora de Leandro Boldrini, Maria Lúcia Cremonese. Ela disse conhecer o médico desde pequeno. “O avô paterno de Bernardo nunca teve um gesto de carinho para com Leandro. Hoje o chamaríamos de ogro”, disse a mulher, antes de ser dispensada. Após o depoimento, a defesa abriu mão de três testemunhas: dois irmãos de Leandro Boldrini e sua cunhada.