PF deflagra operações contra lavagem de dinheiro de barão da droga no Paraná

PF deflagra operações contra lavagem de dinheiro de barão da droga no Paraná

Movimentação financeira de empresas controladas por apenas um dos investigados chegaram a R$ 4 bilhões

Correio do Povo

Houve cumprimento de 65 ordens judiciais e bloqueio e sequestro de bens e valores

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A Polícia Federal do Paraná deflagrou na manhã desta quinta-feira as operações Sucessão e Fluxo Capital que têm como alvo uma organização criminosa que atua com a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, entre outros crimes. Durante as investigações, a PF apurou uma movimentação financeira na ordem de R$ 4 bilhões pelas empresas, controladas direta ou indiretamente por apenas um dos investigados.

A operação Sucessão é um desdobramento da operação Spectrum, que resultou na prisão do barão da droga conhecido como Cabeça Branca, considerado um dos maiores narcotraficantes de drogas do país.

Houve o cumprimento de 39 mandados de busca e apreensão e de 19 mandados de prisão temporária em seis estados, além do cumprimento de sete mandados de busca e apreensão no Paraguai. As ordens judiciais visaram inclusive familiares do traficante que o auxiliaram na lavagem do dinheiro de origem ilícita.

O sequestro de imóveis, bloqueio de valores em contas bancárias, a suspensão das atividades das empresas envolvidas e das licenças profissionais dos contadores investigados também foram executados pelos agentes da PF.

A ação ocorreu no Paraná (Curitiba, Matinhos, Pontal do Paraná, Paranaguá, Londrina e Cianorte), Santa Catarina (Florianópolis), São Paulo (São Paulo e Barueri), Roraima (Boa Vista), Mato Grosso (Cuiabá) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Dourados).

Já a operação Fluxo Capital, por sua vez, apura a lavagem do dinheiro por meio de movimentações milionárias, com a utilização de “laranjas”, empresas de fachada e contadores.

As investigações demonstraram que o grupo não se limitava à lavagem do dinheiro de Cabeça Branca, mas mantinha também relações com facções atuantes em território nacional, envolvidas no narcotráfico e outros delitos.

Ao longo do trabalho investigativo, os policiais federais apreenderam aproximadamente R$ 12 milhões em dinheiro. O controle da movimentação do dinheiro era feito por doleiros e donos de casas de câmbio, instalados no Paraguai. As informações foram compartilhadas com as autoridades paraguaias.

Os nomes das operações fazem alusão, respectivamente, ao fato de os alvos serem familiares do barão da droga e à vultosa quantia de dinheiro movimentada pela organização criminosa.  

Cabeça Branca encontra-se recolhido em uma penitenciária federal brasileira desde que foi capturado pela Polícia Federal em julho de 2017 na cidade de Sorriso, no Mato Grosso. Na ocasião, a PF apurou que o patrimônio do criminoso ficaria em torno de 100 milhões de dólares entre fazendas, casas, aeronaves, contas bancárias em paraísos financeiros, imóveis e veículos de luxo. Ele era então um dos traficantes mais procurados há cerca de 30 anos pela Polícia Federal e Interpol na América do Sul.

Em março de 2021, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) do Ministério da Justiça e Segurança Pública realizou a conversão de mais de 3,4 milhões de dólares apreendidos pela Polícia Federal em ações contra a criminalidade. Parte do dinheiro pertencia ao narcotraficante.

Em agosto de 2020, fazendas do barão da droga brasileiro Cabeça Branca foram confiscadas no Paraguai. As propriedades rurais totalizaram 12.491 hectares e foram avaliadas em 19 milhões de dólares na época. 

Em julho de 2010, uma reportagem do Correio do Povo, intitulada “Cabeça Branca, novo alvo da Polícia Federal e Senad”, já relatava a caçada ao barão da droga na região da fronteira. O narcotraficante manteve-se foragido graças às cirurgias plásticas que fez em seu rosto, com o objetivo de não ser identificado, além de usar nomes falsos.

Com condenações na época que somavam mais de 50 anos de prisão, Cabeça Branca foi apontado como líder de uma organização transnacional especializada em tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

Ele era apontado como um dos principais fornecedores de cocaína para as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). O traficante introduzia cerca de cinco toneladas da cocaína por mês em território nacional com destino final aos estados e até ao exterior.


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