Polícia Civil realiza operação contra facção que punia com violência os próprios membros

Polícia Civil realiza operação contra facção que punia com violência os próprios membros

Entre os alvos estava uma das lideranças da organização criminosa que retornou de penitenciária federal

Correio do Povo

Cerca de um quilo de cocaína, balanças, prensas e apetrechos foram apreendidos

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 A 5ª Delegacia de Polícia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (5ª DPHPP) da Polícia Civil desencadeou na manhã desta quarta-feira a operação Justa Causa, que tinha uma das principais lideranças de uma facção entre os alvos. Trata-se de um apenado, vulgo "Museu" e "Júnior Perneta", que está recolhido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) após retornar no final do ano passado de uma penitenciária federal.

O criminoso havia sido preso no início de maio de 2018 na cidade de Encarnacion, no Paraguai, sendo que o nome dele constava inclusive na difusão vermelha da Interpol. Na Pasc, o bandido reassumiu as funções, emitindo ordens à facção, coordenando o tráfico de drogas e dando aval para a prática de atos de violência.

Na operação desta manhã, a equipe da 5ª DPHPP cumpriu 14 medidas judiciais, entre seis mandados de busca e apreensão, outros seis mandados de prisão preventiva e dois mandados de prisão temporária. A ação ocorreu nos bairros Bom Jesus, Jardim Carvalho e Mário Quintana, em Porto Alegre, além de Gravataí. Cinco prisões foram efetuadas, incluindo o apenado que recebeu a ordem judicial dentro da cela da Pasc.

O gerente responsável pelo tráfico de drogas do bairro Jardim Carvalho, na Capital, recolhido também no sistema prisional, recebeu igualmente o mandado judicial. Na ação, os policiais civis apreenderam cerca de um quilo de cocaína, balanças, prensas e demais apetrechos para embalo e comércio de drogas, além de dois veículos utilizados para distribuição dos entorpecentes.

A investigação apurou a forma de atuação da facção em relação a desvios de conduta de colaboradores do grupo criminoso, resolvendo as questões com extrema violência, através de espancamento, decepamento de membros e demais formas de punição, sempre com extrema crueldade.

No começo deste ano, um homem foi severamente espancado por integrantes da facção. A agressão foi tão violenta que os dentes da vítima foram arrancados. A punição teria ocorrido por que o indivíduo, encarregado de ser olheiro de um ponto de tráfico, falhou na tarefa em razão da atuação das forças policiais na área.

Em outubro passado, um outro homem foi agredido com requintes de crueldade. Ele teve o braço quebrado, dedos da mão decepados e um dos olhos furados. As investigações indicaram que ele foi punido por ter trocado de ponto de venda de entorpecentes sem autorização da liderança da facção.

"Os fatos evidenciaram a organização do grupo criminoso, a estruturação de suas decisões, a articulação entre os vários pontos de venda, a forma de arregimentar colaboradores e, principalmente, o 'regime disciplinar' para aqueles que falham nas suas atividades: violência desmedida", avaliou o delegado Luis Firmino, que responde pela 5ª DPHPP nas férias do delegado Gabriel Bicca.

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