Ponto de grevistas será cortado se houver paralisação, diz chefe da Polícia Civil
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Ponto de grevistas será cortado se houver paralisação, diz chefe da Polícia Civil

Sindicato de policiais decidiu por cruzar os braços caso medidas de Eduardo Leite sejam levadas à votação na Assembleia Legislativa

Por
Correio do Povo e Rádio Guaíba

Nadine Anflor participou de reinauguração da 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento em Porto Alegre

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Um dia após a realização da assembleia que definiu a greve de policiais civis caso o pacote de medidas de Eduardo Leite vá à votação, a chefe de Polícia, Nadine Anflor, afirmou nesta quarta-feira que se a categoria decidir parar, haverá o corte de ponto. 

"Os policiais civis não podem fazer greve. Há uma decisão do Supremo Tribunal Federal, de 2017, que trata da impossibilidade de paralisação. A nossa postura como chefe de Polícia, como administração, é continuar dialogando, respeitando as mobilizações, mas não podemos admitir falta de comprometimento dos policiais", disse durante a reinauguração da 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento. 

Nadine reiterou o respeito às manifestações, mas relatou que há uma ordem do governo em relação ao comportamento de grevistas. "A greve não será admitida. Respeitamos a operação padrão, tudo dentro de um diálogo, agora não podemos concordar com a paralisação. Já há uma determinação do Executivo no que diz respeito ao corte do ponto", argumentou. 

O presidente da Ugeirm Sindicato, Isaac Ortiz, reagiu com surpresa à declaração de Nadine Anflor, mas garantiu a paralisação em caso de votação do pacote. "Se ocorrer, a Polícia Civil com certeza entrará em greve. É lamentável que as forças de segurança estarem neste patamar de embate. O nosso comprometimento com a Corporação é muito grande. Nós conseguimos diminuir os índices de criminalidade e isso tem muito do esforço dos policiais", explicou em entrevista à Rádio Guaíba. 

Ortiz destacou o atraso de salários e a dificuldade em travar um diálogo profissional. "O Supremo Tribunal Federal também diz que tem de haver salário em dia e nós convivemos com este problema há cinco anos, tendo que recorrer a empréstimos para sanar as nossas dívidas. Temos plena consciência de que vamos atender a população, até porque a greve não é contra ela. O pacote é desastroso para todos", resumiu. 

Nessa terça-feira, diversas manifestações contra o pacote de Eduardo Leite foram realizadas em Porto Alegre. A mobilização de sindicatos começou durante a manhã, na Praça da Matriz. Ônibus de diferentes cidades do Rio Grande do Sul trouxeram professores para integrar o protesto liderado pelo Cpers. 

A partir das 11h, os manifestantes iniciaram uma caminhada, com direito a carro de som e cânticos. Entre as palavras de ordem dos servidores estava a seguinte frase: "o Eduardo mãos de tesoura, cadê o salário da minha professora". Outro grito ouvido na passagem de grevistas foi "retira", em referência ao pedido de retirada das iniciativas criadas pela administração de Leite. 

Além do Cpers, participaram da mobilização o Sindicato dos Servidores Públicos (Sindsepe/RS), Sindicato dos Servidores de Nível Superior do Poder Executivo do Estado do Rio Grande do Sul (Sintergs), Sindicato dos Servidores da Procuradoria Geral do Estado do RS (Sindispge), Sindisaúde e outras entidades que desejam a retirada do projeto de Leite.