Quadrilha que roubou mais de R$ 10 milhões em salmão, queijos e carnes nobres é alvo de ação no RS

Quadrilha que roubou mais de R$ 10 milhões em salmão, queijos e carnes nobres é alvo de ação no RS

Mercadorias vinham da Argentina e eram levadas sobretudo para Santa Catarina

Correio do Povo

Ação cumpriu 42 ordens judiciais e resultou em 15 presos

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A Polícia Civil desencadeou nesta terça-feira uma operação contra uma organização criminosa especializada no roubo de cargas de salmão, carnes nobres, queijo e chocolates. A quadrilha, que atacava as mercadorias vindas da Argentina, causou prejuízos superiores a R$ 10 milhões entre 2016 e 2020. Ao menos 15 assaltos foram identificados apenas no Rio Grande do Sul, mas existem ocorrências também em outros estados.

A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão a Roubo e Furto de Cargas (DRFC) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Mais de 120 agentes, sob comando do delegado Alexandre Luiz Fleck, efetuaram 15 prisões, sendo que cinco realizadas dentro do sistema carcerário. “Foi um trabalho bastante diferenciado”, avaliou.

Houve o cumprimento de 22 ordens judiciais de busca e apreensão e outros 20 mandados de prisão em Porto Alegre, Canoas, Uruguaiana e Santana do Livramento; além de Tijucas, Itapema, Itajaí, Porto Belo e Penha, em Santa Catarina; em Foz do Iguaçu, no Paraná; e em Presidente Prudente, em São Paulo.

A operação, denominada Conexão Sul, foi antecedida por uma investigação que começou no final de 2018.  Os policiais civis apuraram a existência de um grupo criminoso formado por aproximadamente 40 integrantes. Durante o trabalho investigativo, os agentes da DRFC apreenderam caixas de salmão chileno na residência de um dos investigados.

A quadrilha era estruturada para a prática de roubos de carga de alto valor agregado, sobretudo salmão, que entravam no país pela fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina. O principal destino da mercadoria era Santa Catarina.  

A organização criminosa tinha dois núcleos, sendo um em Uruguaiana e outro no Litoral Norte de Santa Catarina, sendo chefiada por uma dupla em cada local. Um dos líderes encontra-se atualmente recolhido em um presídio argentino.

Ajudantes aduaneiros repassavam informações privilegiadas sobre o tipo de carga e o caminhão que a transportava após o ingresso no país vindo da Argentina, através do porto seco de Uruguaiana.

Os ataques ocorreram principalmente nas rodovias federais no trecho entre Uruguaiana, São Borja e Ijuí. A abordagem era feita com ao menos dois veículos e uso de armas de fogo. Um indivíduo, denominado "elétrico", era responsável pelo desligamento dos sistemas de segurança do caminhão interceptado e uso de bloqueadores de sinal (jammers) de alta potência.

O veículo atacado era então levado para outro local, onde acontecia o transbordo da carga para outro caminhão, seguindo a carga roubada até seu destino final em Santa Catarina. Os receptadores previamente alinhados com a quadrilha falsificavam notas fiscais para dar aparência de legalidade da mercadoria. Os lucros eram distribuídos de forma organizada, com controle feito por um "tesoureiro".


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