Reconstituição da morte de menino em Planalto demonstra complexidade do caso, avalia IGP

Reconstituição da morte de menino em Planalto demonstra complexidade do caso, avalia IGP

Previsão é de que o laudo esteja concluído em 30 dias

Correio do Povo

Um boneco simulou o corpo do menino, com mesmo peso e altura dele

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A reconstituição da dinâmica no momento da morte de Rafael Mateus Winques, 11 anos, durou cerca de nove horas nessa quinta-feira na cidade de Planalto. O Instituto-Geral de Perícias (IGP), com apoio da Polícia Civil, conduziu a denominada Reprodução Simulada dos Fatos que, após os preparativos durante a tarde, foi realizada por cerca de três horas. Todo o trabalho ficou gravado em áudio e registrado também em vídeos e fotos nos ambientes onde aconteceram os fatos. O irmão da vítima, um adolescente de 16 anos, participou apenas das oitivas, sendo dispensado do restante. A mãe, de 33 anos, encontra-se presa após confessar o crime e afirmou que a morte ocorreu depois que a criança ingeriu dois comprimidos de um tranquilizante. Rafael Mateus Winques estava desaparecido desde o dia 15 deste mês e o corpo foi localizado dez dias depois na casa abandonada, ao lado da que residia com a mãe e o irmão, no bairro Medianeira.

A diretora do Departamento de Perícias do Interior do IGP, Marguet Mittmann, avaliou que foi “uma perícia extremamente complexa” e teve como objetivo analisar cientificamente a versão apresentada pela mãe no depoimento que havia prestado na delegacia no final da tarde, visando verificar “se a narrativa é factível”. Na opinião dela, o resultado da reconstituição é “muito robusto para o inquérito policial”. Segundo a diretora, o trabalho realizado na noite dessa quinta-feira foi “a reprodução em si daquilo que a mãe narrou na oitiva” sendo “verificada a possibilidade dos fatos terem ocorridos como ela narrou”.

Já a perita criminal Bárbara Cavedon destacou também a complexidade do caso. Um dos aspectos verificados foi avaliar a possibilidade de a mãe ter carregado sozinha o menino da residência da família até a casa abandonada ao lado, onde o corpo foi deixado em um caixa de papelão. Nesse sentido, um boneco simulou o menino, com mesmo peso e altura dele. Em um dos momentos da reconstituição, a mãe saiu da casa e simulou como teria arrastado o filho da casa onde residia, até a residência próxima, onde o corpo foi localizado dentro de uma caixa de papelão. Neste momento o pátio da casa foi deixado totalmente escuro e todos os que acompanhavam permaneceram em silêncio.

“Fizemos a sequência de todas as ações referidas na versão da mãe que mostrou no local como os fatos teriam ocorrido naquele dia. A partir de sua demonstração, são realizadas as análises técnicas pertinentes ao exame” explicou. A previsão é de que o laudo esteja concluído em 30 dias. Bárbara Cavedon lembrou que ainda existem outras análises periciais em andamento.

A Reprodução Simulada dos Fatos foi acompanhada também pelo perito médico-legista que realizou a necropsia do corpo do menino. O laudo desta, que aponta a causa da morte, leva em conta os resultados de outras perícias, como as de toxicologia, que indicam se houve a ingestão de medicamentos, conforme relatado pela mãe da criança. “Todos os vestígios conversam entre si e convergem pro mesmo caminho, que é o da verdade. É uma prova técnica e científica” esclareceu Marguet Mittmann. Ao todo, 29 solicitações de perícias foram enviadas pela Polícia Civil para o IGP. Destas, 19 já tiveram os laudos assinados e liberados para a autoridade policial. "Temos uma equipe de peritos totalmente dedicadas a esse caso”, enfatizou a diretora do Departamento de Perícias do Interior do IGP.


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