Segunda fase da operação Casas de Areia é deflagrada pela Polícia Civil em Porto Alegre

Segunda fase da operação Casas de Areia é deflagrada pela Polícia Civil em Porto Alegre

Vítimas compravam imóveis que nunca eram entregues pelos golpistas

Por
Correio do Povo

Em um apartamento que seria a sede de uma consultoria empresarial, agentes recolhem documentos


publicidade

A Polícia Civil desencadeou no começo desta quarta-feira em Porto Alegre a segunda fase da operação Casas de Areia, que investiga a venda fraudulenta de imóveis  que nunca foram entregues aos compradores pelos golpistas no Litoral Norte. A Divisão Estadual de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro, do Departamento Estadual de Investigações Criminais, coordena o cumprimento de mandado de busca e apreensão na Capital. 

Agentes da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes de Lavagem de Dinheiro, sob comando do delegado Marcus Vinicius da Silva Viafore, recolhem documentos e materiais em um apartamento que seria a sede de uma consultoria empresarial. Essa empresa foi criada para receber pagamentos destinado ao grupo econômico investigado visando evitar os bloqueios das contas por credores vítimas. A consultoria empresarial serviria também para que o grupo continuasse operando e pagasse contas pessoais e transferência de dinheiro para os sócios investigados.

As investigações apuram os crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e fraude à execução praticados por sócios e integrantes de um grupo econômico, formado por empresas, que vendiam sem entregar imóveis e casas nas cidades de Imbé, Tramandaí e Xangri-Lá. Os policiais civis constataram que inexistia lastro financeiro para honrar os negócios com as vítimas de maneira proposital. Os agentes estimam pelo menos 200 vítimas do grupo que já responde a 400 ações cíveis relacionadas aos supostos empreendimentos.

Primeira fase 

Na 1ª fase da operação Casas de Areia, realizada em maio do ano passado, ocorreu o bloqueio de contas da consultoria empresarial e de dois familiares de sócios que, da mesma forma, cediam contas bancárias para que as empresas do grupo pudessem também receber valores e efetuar pagamentos e transferências de numerário aos sócios.

O estratagema tinha como objetivo ludibriar as vítimas que moviam ações cíveis para fins de ressarcimento dos prejuízos pelas casas não entregues. Houve ainda na ocasião da primeira etapa o sequestro de dois imóveis de investigados que estavam em nome de terceiros com o intuito de ocultação patrimonial.


Na ação foi deferido judicialmente o afastamento do sigilo bancário e fiscal de todos os envolvidos, sendo recolhidos na época documentos, celulares e mídias.