Aloysio Nunes pede que Maduro não use atentado para ampliar repressão na Venezuela
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Aloysio Nunes pede que Maduro não use atentado para ampliar repressão na Venezuela

Ministro das Relações Exteriores ressaltou que espera que ataque seja apurado de "maniera isenta"

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Agência Brasil

Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes espera que o atentado seja apurado de “maneira isenta"

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O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, disse nesta sexta-feira que espera que o atentado contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, seja apurado de “maneira isenta e não seja um pretexto para o recrudescimento da repressão à oposição”.“Achei estranho que, minutos depois do atentado, o presidente Maduro já tenha descoberto quem era o grande autor intelectual atribuindo essa responsabilidade ao presidente (colombinado) Juan Manuel Santos, o que me parece algo bizarro”, disse Nunes em entrevista, após a primeira Reunião do Diálogo Político-Militar Brasil-Chile, no Palácio Itamaraty.

No domingo, Maduro afirmou que o chefe de governo da Colômbia, Juan Manuel Santos, estaria por trás do suposto atentado que sofreu no último sábado em um ato público com militares em Caracas. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, recomendou que o órgão examine a possibilidade de criação de uma comissão de especialistas internacionais para investigar o suposto atentado contra o presidente.

Em declaração à imprensa, ao lado do chanceler chileno Roberto Ampuero, do ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, e do ministro de Defesa Nacional do Chile, Alberto Espina Otero, Nunes reiterou que a posição dos países é que a situação da crise política da Venezuela deve ser resolvida pelos próprios venezuelanos de “maneira negociada, democrática e constitucional”.

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Emergência no Equador

Sobre o estado de emergência declarado pelo Equador devido à entrada de venezuelanos, o chanceler brasileiro lembrou que é uma situação diferente da enfrentada pelo Brasil, que tem mais condições de absorver a imigração do país vizinho. “Na Colômbia, fala-se em 1 milhão de refugiados. No Equador, é também um número muito grande. No Brasil, é um número pequeno. Nosso problema é dar acolhida decente e fazer o trabalho de interiorização”, afirmou o chanceler.

Roraima 

Em relação à recente polêmica envolvendo a entrada de venezuelanos em Roraima, Nunes destacou que a suspensão do país do Mercosul não afetou o direito dos cidadãos de entrar e sair do Brasil. “Hoje, temos entre cinco e seis mil (venezuelanos), mas estão concentrados em Roraima. Isso sobrecarrega, sobremaneira, os serviços públicos no estado. Nosso esforço é apoiar a interiorização desses imigrantes. Em um país enorme como o Brasil, com 210 milhões de habitantes, quatro ou cinco mil (venezuelanos) não faz grande diferença. Pelo contrário, são pessoas geralmente bem qualificadas, que vêm aqui para trabalhar, tangidas por uma crise econômica”, acrescentou o ministro.

Na última quinta-feira, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber suspendeu o decreto do governo de Roraima que determina aumento de rigor da segurança pública e da vigilância das forças policiais na fronteira com a Venezuela, além da regulamentação de acesso a serviços públicos para eventual atendimento de imigrantes para o estado.

Nicarágua

Ainda nos temas regionais, Nunes manifestou a “profunda preocupação com a escalada da violência na Nicarágua do governo contra a oposição”. Segundo o chanceler, Brasil e Chile esperam que o país da América Central busque solução pacífica para os conflitos políticos.

Em julho, o Conselho Permanente da OEA aprovou uma resolução de “condenação” e “grave preocupação” contra o governo do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.