Amparado por STF, Witzel se retira e encerra depoimento na CPI da Covid

Amparado por STF, Witzel se retira e encerra depoimento na CPI da Covid

Ex-governador do RJ disse que poderá repassar mais informações à Comissão, desde que possa depor de forma sigilosa

R7 e AE

Witzel decidiu se retirar da sessão e encerrou o seu depoimento na CPI nesta quarta

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Após apontar o governo Bolsonaro como responsável pelas mais de 490 mil mortes na pandemia, se defender das acusações que levaram ao seu impeachment, bater boca com o senador Flávio Bolsonaro e prometer revelar fatos "gravíssimos" em sessão sigilosa, o ex-governador do Rio Wilson Witzel encerrou seu depoimento à CPI da Covid no início da tarde desta quarta-feira. Ainda restavam 12 senadores inscritos para interrogar o governador cassado, mas, protegido por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Witzel resolveu encerrar sua oitiva. A sessão foi encerrada logo após a saída de Witzel. 

"Senador Girão, o depoente vai se retirar", interrompeu o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), enquanto o senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE) se manifestava e elaborava perguntas a Witzel. Aziz lembrou da decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do STF, que concedeu ao ex-governador o direito de não comparecer à comissão. "E ele (Witzel) acabou de me comunicar que quer se retirar da sessão e a gente não pode fazer absolutamente nada", comunicou o presidente da CPI, encerrando a sessão.

Witzel se comprometeu a repassar mais informações à CPI, desde que possa depor de forma sigilosa. O pedido foi feito aos senadores durante a oitiva nesta quarta-feira. Aziz afirmou que iria analisar como esse segundo interrogatório poderá ser conduzido. O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), chegou a sugerir que a conversa acontecesse logo na sequência da sessão pública, mas Witzel pediu que o segundo depoimento fosse realizado em outro momento, para que ele possa comparecer mais bem preparado. 

Impeachment

Em entrevista coletiva logo após ter abandonado a CPI, Witzel afirmou que vai insistir em uma sessão secreta para apresentar provas de que seu impeachment foi "patrocinado" financeira e politicamente. "Pedi à CPI uma sessão sob segredo de Justiça para que a gente possa aprofundar os fatos que envolvem e aqueles que estão por trás do meu impeachment. Quem patrocinou meu impeachment financeiramente, quem patrocinou politicamente de forma ilícita, só a CPI independente, senadores, é que podem investigar. Aguardo mais um convite", disse.

Witzel afirmou que os deputados que compuseram o tribunal que determinou a cassação de seu mandato foram escolhidos previamente e essas questões fizeram parte de um roteiro para atingir os governadores do país e interferiram no combate à pandemia. Os fatos, alega, não podem ser revelados em uma sessão aberta, pois compromete as investigações. "A minha cassação interferiu no combate à pandemia, principalmente porque eu fui o primeiro governador a tomar medidas rigorosas no combate à pandemia e a narrativa do governo federal sempre foi o negacionismo. O resultado disso são mais de 431 mil mortes."

Para ele, os governadores que não estão alinhados com o governo federal sofrem perseguição. 

Abandono da sessão

Questionado sobre os motivos que o levaram a abandonar a sessão de hoje, Witzel disse que se sentiu ofendido com algumas perguntas "chulas e levianas". "Estou aqui para ser respeitado e respeitar. A partir do momento que começaram a ocorrer xingamentos, como nas redes sociais, entendi que seria melhor (deixar a reunião)", afirmou.

Pouco antes de deixar a sessão, Witzel havia discutido asperamente com outro governista, o senador Jorginho Mello (PL-SC). O parlamentar afirmou que o ex-governador, um ex-juiz federal, é uma vergonha ao Judiciário brasileiro por ter se aproveitado do cargo executivo para praticar corrupção.

Governadores desamparados

Durante seu depoimento à CPI, Witzel disse que o diálogo entre o governo federal com governadores poderia ter evitado parte das mortes em decorrência da Covid-19. "Ficamos desamparados do apoio do governo federal", disse. "Nós, governadores, desde o início do controle da pandemia, buscamos tomar as medidas de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde. A partir do momento que governadores e prefeitos viram a necessidade de seguir as orientações, nós pedimos ao presidente da República diversas vezes, suplicando, que nos atendesse e que pudéssemos conversar para tentar soluções em conjunto", completou Witzel ao citar bons exemplos de outros países. 

Discussão 

A sessão também foi marcada pela discussão do ex-governador com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Na ocasião, Witzel o chamou de "mimado". O filho do presidente da República também foi alvo do relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que afirmou: "Seu pai parece que não lhe deu educação". O embate começou após o ex-governador afirmar de forma reiterada que havia perdido o cargo por perseguição política.

Ele foi questionado por Flávio Bolsonaro, que apontou decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a interrupção do processo de impeachment de Witzel. Flávio fez sua argumentação ainda na vez de Renan Calheiros questionar Witzel, provocando a reação do relator. Flávio Bolsonaro rebateu, dizendo que sua educação era diferente da de Renan, "graças a Deus".

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