ANS tinha denúncia de médica da Prevent Senior desde abril

ANS tinha denúncia de médica da Prevent Senior desde abril

Senadores apontam omissão da agência. Profissional relatou falta de autonomia médica e obrigatoriedade na indicação do "kit Covid"

R7

ANS tinha denúncia de médica da Prevent Senior desde abril

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O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), mostrou nesta quarta-feira (6), uma denúncia enviada por uma médica da Prevent Senior à Agência Nacional de Saúde Suplentar (ANS), em abril deste ano, apontando falta de autonomia médica e obrigatoriedade na prescrição do chamado 'kit Covid', composto por medicamentos sem comprovação de eficácia contra a doença. A informação contraria alegação do diretor-presidente da ANS, Paulo Roberto Rebello Filho, que disse que a agência só soube de denúncias envolvendo a operadora após as acusações feitas no âmbito da CPI, recentemente.

Segundo o senador, a denunciante enviou à CPI um texto dizendo que havia imposição por parte da operadora para que os "profissionais de saúde prescrevessem determinados medicamentos aos pacientes com Covid-19, restringindo a autonomia médica, conforme mensagens abaixo dos grupos de WhatsApp". 

Uma das mensagens encaminhadas pela denunciante diz: "Importante: nesse minuto, iniciaremos um protocolo para pacientes internados para tratamento do Covid! Quem tiver paciente internado, favor prescrever para todos os casos no momento da internação: sulfato de hidroxicloroquina via oral associado a azitromicina".

Outra mensagem, de março do ano passado, acrescenta: "Todos os pacientes com sintomas gripais e/ou sinais tomográficos sugestivos de pneumonia pelo Covid-19 deverão receber o esquema com hidroxicloroquina". Já outra mensagem, apontada como grave por Randolfe, diz que uma média orienta a prescrição de cloroquina para quem espirrar. "Espirrou, toma. Os resultados estão ótimos. Bora prescrever", diz a mensagem.

O senador ainda mostrou uma mensagem de maio do ano passado na qual uma plantonista não prescreveu hidroxicloroquina para uma paciente com alteração eletrocardiográfica, que contraindicaria o uso desta medicação e um diretor enviou mensagem para que outra pessoa fosse verificar com um diretor da operadora, que é cardiologista, autorizaria o uso. Segundo o senador, ao final das mensagens, mesmo com as advertências, é recomendado que se aplique a hidroxicloroquina.

A Prevent Senior passou a ser um dos focos de apuração da CPI após médicos da operadora fazerem uma série de denúncias, entre elas a de que eram obrigados a receitar "kit Covid" a todo paciente com suspeita ou confirmação da infecção pelo coronavírus. A advogada do grupo de médicos, Bruna Morato, prestou depoimento à CPI na qual afirmou que a Prevent adotou a disponibilização de medicamentos ineficazes no combate à Covid-19 como uma estratégia de redução de custos.

Segundo ela, a empresa preferia entregar o kit a internar pacientes. "Era uma estratégia para redução de custos, uma vez que é muito mais barato para a operadora de saúde disponibilizar determinados medicamentos do que efetivamente fazer a internação daqueles pacientes que usariam aquele conjunto de medicamentos", afirmou.


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