Apoiadores de Bolsonaro defendem voto impresso durante ato em Porto Alegre

Apoiadores de Bolsonaro defendem voto impresso durante ato em Porto Alegre

Presença de grupo opositor ao presidente gerou princípio de confusão na avenida Goethe

Felipe Samuel

Apoiadores de Bolsonaro defendem voto impresso durante ato em Porto Alegre

publicidade

Com discursos a favor do voto impresso e críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), apoiadores do presidente Jair Bolsonaro se concentraram neste domingo no Parcão, no Moinhos de Vento, bloqueando parte da avenida Goethe por mais de duas horas. A maioria dos manifestantes carregava bandeiras do Brasil, defendia o 'voto impresso auditável' e cobrava eleições limpas e transparentes. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no entanto, informa que a urna eletrônica já possibilita a auditoria da totalização e, ao término da votação, o equipamento imprime o Boletim de Urna (BU), que é um relatório detalhado com todos os votos digitados no aparelho.   

Veja Também

Durante o ato, um grupo contrário ao governo federal estendeu uma faixa próxima de onde ocorria a manifestação pró-Bolsonaro com a mensagem "Fora, Bolsonaro". Houve princípio de confusão e correria. O Batalhão de Choque da Brigada Militar foi acionado e dispersou o grupo. Ninguém ficou ferido. Na passarela da avenida Goethe com o Parcão, deputados e vereadores bolsonaristas, aliados a integrantes de movimentos como Livre Iniciativa RS e Banda Loka Liberal, se revezavam ao microfone em defesa do voto impresso.  

Em mensagem exibida ao público, Bolsonaro agradeceu o apoio dos manifestantes, defendeu uma eleição 'limpa e democrática, com contagem pública do voto'. O deputado estadual Zucco (PSL) também atacou o STF, engrossou o coro pelo voto impresso a afirmou que o movimento é 'patriótico, cívico, de defesa de uma país que é nosso'. "Estamos aqui porque não temos a certeza de que nosso voto na tela vai ser computado nas urnas", afirmou. 

Segundo Zucco, a maioria dos países democráticos não utiliza o sistema eletrônico. "Se o STF diz que é caro voto auditável impresso, que eles parem de gastar nosso dinheiro com vinho, champagne e benefícios próprios", disparou. O agricultor Eusébio Ignácio Pedro Bretos Navarro, 66, era um dos milhares de manifestantes no local que pedia voto impresso e gritava 'Fora, STF'. Mesmo informado que o TSE garante que a urna eletrônica pode ser auditada, Navarro rebatia. "O TSE divulgou isso, mas ele precisa me provar, me mostrar como se audita. Não confio. Ele só mostra no total", observou.  

A corretora de imóveis Maria Inês Paz Corrêa, 76, também seguia mesma linha. "A urna eletrônica não é confiável e também não é auditável", afirmou. "O TSE faz parte do grupo dos comunistas, o que ele diz não se escreve. A urna eletrônica é uma fraude", criticou. A família Giacomelli saiu de Canoas, na Região Metropolitana, para engrossar o protesto. Os irmãos Edemir, Marelice e Elazir reforçavam as críticas ao uso de urnas eletrônicas. "Quero ver meu voto impresso, essa é que é a questão. Não interessa se a urna é ou não é confiável, porque se eu vou fazer um jogo numa lotérica, quero meu jogo (comprovante) na minha mão. Como vou provar depois que fui sorteada?", afirmou Marelice, 67, que é professora aposentada.  

Elazir, 69, cobrava explicações sobre o por que do uso da urna eletrônica. "Queremos voto auditável, transparência e a certeza de que a gente votou e nosso voto foi válido. Diz que se até a Nasa já foi invadida, por que as urnas não serão?", destacou. Edemir, 63, que é música, também desconfia da urna eletrônica. "É muito fácil fraudar uma urna, ninguém sabe o que se põe lá dentro. Não tem como provar que eu votei em alguma pessoa", acusou. "Pode dizer qualquer coisa, menos que a urna é confiável", completou.

 


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895