Política

Aras pede ao STF suspensão de liminar que retomou direito de concorrer a Eduardo Cunha

No pedido, PGR aponta que o ex-deputado esperou a proximidade das eleições para burlar as decisões do Supremo Tribunal Federal

Justiça encerrou inquérito contra Eduardo Cunha em caso sobre suspeita de propina
Justiça encerrou inquérito contra Eduardo Cunha em caso sobre suspeita de propina Foto : Antonio Cruz / Agência Brasil / R7 / CP

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira que suspenda a decisão provisória que garantiu ao ex-deputado federal Eduardo Cunha o direito de se eleger. A solicitação de Aras foi feita após Cunha pedir na Justiça a suspensão dos efeitos da Câmara dos Deputados, que, em 2016, oficializou a perda do mandato após a cassação. Com o ato do plenário, ele se tornou inelegível e ficou proibido de ocupar cargos federais. Para Cunha, houve "vícios processuais".

No pedido, Aras defende a prevalência do interesse público e social em detrimento dos direitos políticos de Eduardo Cunha e aponta que o ex-parlamentar esperou a proximidade das eleições deste ano para ingressar com a ação na tentativa de burlar as decisões do STF.

A alegação da Procuradoria-Geral da República é a de que "há incontestável presença de interesse público e social na suspensão da decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) em razão da grave ofensa à ordem jurídico-constitucional, por violação do princípio da separação dos Poderes".

Para Aras, a medida coloca "em xeque a segurança jurídica, a instabilidade institucional, a confiabilidade nas instituições, a paz social e a própria democracia". De acordo com a PGR, "o entendimento do STF é o de que a interferência do Poder Judiciário em procedimentos legislativos deve ocorrer somente para assegurar o cumprimento da Constituição Federal, proteger direitos fundamentais e resguardar os pressupostos de funcionamento da democracia e das instituições republicanas".