Bagé e Torres já vacinam adolescentes sem comorbidades

Bagé e Torres já vacinam adolescentes sem comorbidades

Em Porto Alegre, 94,6% acima dos 18 receberam primeira dose, mas faixa etária está há 24 dias sem avanço

Flavia Bemfica

Bagé e Torres já começaram a vacinação de adolescentes sem comorbidades

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As cidades de Bagé e Torres já começaram a vacinação de adolescentes sem comorbidades de 17 a 12 anos, em ordem decrescente de idade. Em Bagé, no sul do Estado, a imunização deste público teve início no sábado, 4 de setembro. Conforme os dados da prefeitura, 700 jovens de 17 anos receberam a primeira dose da vacina da Pfizer no dia, a única já autorizada para a faixa etária. Após o feriado, a campanha foi retomada na quarta-feira, 8.

Em Torres, no Litoral Norte, a vacinação de adolescentes sem comorbidades começou nesta sexta-feira, 10, para aqueles com idades entre 15 e 17 anos. Os detalhes sobre as campanhas e a documentação necessária, além dos locais e horários da vacinação, estão disponíveis nas redes sociais das duas administrações municipais.

A cidade de São Leopoldo, no Vale dos Sinos, havia dado início a vacinação de adolescentes de 17 anos sem comorbidades no dia 31 de agosto, mas interrompeu a campanha depois de ser notificada pela Coordenação Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) de que estaria avançando na imunização sem autorização. No RS, o prosseguimento na imunização por faixa etária está travado desde o final de agosto, sob diferentes justificativas, e, nos bastidores, o tema se transformou em uma espécie de cabo de guerra entre diferentes esferas de governos. Enquanto isto, da vizinha Santa Catarina ao Amazonas, em 17 estados e mais o Distrito Federal, já há aplicação de doses para a faixa etária abaixo de 18 anos.

Municípios precisam avançar juntos

Em solo gaúcho, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) vem argumentando que os municípios precisam avançar juntos, ou seja, que é necessário todos completarem a aplicação de primeiras doses na população adulta para depois abrir a vacinação dos 17 anos. E que segue orientação do Ministério da Saúde (MS). O ministério publicou nota técnica autorizando a vacinação dos adolescentes em geral com doses a serem distribuídas a partir de 15 de setembro.

Parte dos gestores municipais concorda. Mas parte lembra que a ‘equalização’ entre cidades não aconteceu ao longo da campanha, e que a maior fatia dos municípios atingirá um índice entre 90% e 95%, já que existem pessoas que não querem ou não têm interesse em receber a imunização. Eles destacam ainda que a postura em relação ao avanço na faixa etária é oposta aquela adotada para as doses de reforço, já que o RS decidiu dar início a aplicação de terceiras doses em idosos institucionalizados antes da data estabelecida pelo Ministério da Saúde, também 15 de setembro, e contemplando faixa etária mais ampla do que a inicialmente proposta pelo gestor federal. A confusão aumentou depois que, nesta sexta, a prefeitura de Caxias do Sul anunciou a dose de reforço para todos os idosos acima de 60 anos que tenham completado o esquema vacinal até 10 de março, e não apenas os institucionalizados.

“Na verdade, são todas decisões políticas”, aponta um gestor em saúde de uma das cidades da Região Metropolitana. Na Capital, Porto Alegre, ocorrem desde o final de agosto debates para avançar na faixa etária. Na semana passada, o prefeito Sebastião Melo (MDB) chegou a anunciar que assim que a cidade recebesse mais doses, ampliaria a primeira dose para adolescentes de 17 anos sem comorbidades. Mas, nesta semana, não foi o que aconteceu. As primeiras doses (D1) recebidas serão direcionadas para reforço. As que a cidade já tem em estoque, e as que eventualmente sobrarem do reforço, continuarão guardadas provavelmente até o dia 15, mesmo que, na Secretaria Municipal da Saúde, a possibilidade de avançar antes disto não tenha sido completamente descartada.

“O município de Porto Alegre é favorável a que comece imediatamente a vacinação abaixo dos 18 anos de idade. Queremos ter o direito de vacinar esta população com as doses que temos”, assinala o coordenador da Vigilância em Saúde da Capital, Fernando Ritter. Na reunião da semana passada da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), que congrega integrantes da SES e de secretarias municipais em número equivalente, o secretário da Saúde, Mauro Sparta, defendeu o avanço. “Fui voto vencido”, resume.

Em São Leopoldo, o secretário da Saúde, Marcel Frison, argumenta que, quando a cidade abriu a aplicação de doses para jovens de 17 anos, parte deles ‘puxou’ os pais na faixa dos 40 aos 50 anos, e que ainda não haviam se vacinado. “Há uma tensão enorme, das famílias pedindo, esperando. Adolescentes circulam, estão frequentando aulas presenciais, parte é economicamente ativa. Eles também se contaminam e transmitem a doença. Então, esta espera, no nosso entendimento, é uma contradição, segue uma lógica mais política do que técnica.” Segundo o secretário, a data limite de espera do município é 15 de setembro. “Depois seguiremos o que, inclusive, o ministério está preconizando.”


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