Barroso diz que não vê ameaças nos atos de 7 de Setembro

Barroso diz que não vê ameaças nos atos de 7 de Setembro

Bolsonaro convocou população para evento que deve contar com desfile das Forças Armadas em Brasília e Rio de Janeiro

Camila Souza

Ministro participou do 17° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo.

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O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que não vê ameaças contra a democracia nos atos do dia 7 de Setembro. "Não vejo nada muito diferente que tenha acontecido no Brasil de 7 de Setembro passado pra cá para eu achar que haja uma ameaça”, afirmou o ministro. A afirmação foi feita nesta sexta-feira, durante a participação do magistrado no 17° Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo.

No último sábado, o presidente Jair Bolsonaro disse que as Forças Armadas vão realizar desfiles em Brasília e no Rio de Janeiro no dia 7 de Setembro e convocou a população a participar dos eventos.

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Barroso destacou as diferenças entre os tipos de manifestações. “Uma coisa é a liberdade de apoiar qualquer candidato, outra é querer destruir as instituições. Se for uma manifestação para fechamento do Congresso e do STF, é completamente diferente. Se for pelo golpe militar, a gente vai saber o tamanho do fascismo e do sentimento antidemocrático no Brasil”. 

Além disso, o ministro citou episódios de violências e ataques por razões políticas e enfatizou que o Brasil precisa passar por uma “reeducação cívica e moral”: “Não é legítimo ofender as pessoas e mentir em relação aos fatos objetivos. Estamos passando por um processo mais complexo do que apenas inseguranças institucionais, precisamos viver uma reeducação. As pessoas merecem respeito mesmo que pensem diferente”, ressaltou.

Investidas no sistema eleitoral

Barroso comandou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até fevereiro deste ano. Durante sua gestão, os militares foram convidados para participar da Comissão de Transparência das Eleições (CTE). Depois disso, as Forças Armadas e o presidente Jair Bolsonaro começaram a questionar o processo eleitoral com frequência, levantando suspeitas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Durante sua participação no congresso, o magistrado foi questionado se o convite teria sido um “erro tático” e afirmou que o TSE não é o culpado pelas investidas dos militares no sistema eleitoral. “Acho que a culpa jamais seria de quem tratou uma instituição de Estado com o respeito que ela merece", disse.

Barroso também afirmou não ter “nem medo das Forças Armadas, nem preconceito”: “É uma instituição do Estado. Eu trato com respeito, como trato todo mundo”. Além disso, lembrou que o acesso aos dados das urnas, solicitado na última semana pelo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, “já está aberto há um ano”.


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