Base do MDB reage à ingresso da sigla no governo Leite
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Base do MDB reage à ingresso da sigla no governo Leite

Objetivo é levar debate ao diretório, evitando que decisão seja apenas da cúpula partidária

Por
Flavia Bemfica

Tiago Simon defende que MDB não ocupe cargos neste momento

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A divulgação da articulação feita pela bancada do MDB para ingressar no governo de Eduardo Leite (PSDB) e anunciar a posição ainda hoje, após reunião dos deputados com a executiva estadual no início da tarde, começou a gerar reações na base partidária e considerações dos parlamentares.

O deputado Tiago Simon, segundo mais votado do partido para a Assembleia, diz não ter nenhum óbice caso a decisão partidária seja pelo ingresso no governo, mas ressalva que sua posição é de que a sigla não ocupe cargos neste momento, “principalmente secretarias ou diretorias.” “O mais natural é o MDB colaborar na governabilidade, sem cargos”, resume. Ele adianta que na reunião de hoje vai defender que o mais correto é a direção partidária convocar o diretório, composto por 71 titulares. “Aí é uma decisão com fundamento. A bancada não deve tomar uma decisão isolada, independente do partido.”

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Na base, pelo menos dois dos seis órgãos internos do partido, a Juventude e a Associação de Vereadores do MDB, assinam uma carta endereçada a parlamentares e executiva para ser lida na reunião da tarde. No documento, reafirmam sua posição de que a legenda fique de fora da gestão Leite e solicitam que o diretório seja convocado para decidir. “É preciso ouvir a base do partido e, nela, a ampla maioria é contra. Por isso, tentaremos forçar para que o debate não seja encerrado em uma reunião de executiva com deputados. O que precisa é uma discussão ampliada do diretório. A prática de entrar em governos e ocupar cargos foi o que destruiu o MDB nacional”, aponta o presidente estadual da Juventude da sigla e vereador em Restinga Seca, Norton Soares.

A ocupação de espaços está no centro do impasse e ganhou corpo após Leite solicitar formalmente ao governador José Ivo Sartori (MDB) que não demita os cargos em comissão da atual administração. Sartori pretendia publicar as exonerações na última semana do ano. O gesto foi considerado de aproximação por deputados que acumulam indicações na estrutura de governo. Simon assegura estar fora do grupo de parlamentares beneficiados. “Se o governador quer começar um governo novo, não vai ser com cargos velhos. Vou defender que o MDB pratique a coerência política em relação a projetos. Para mim, se quiser exonerar todo mundo, não muda nada. Minha atuação parlamentar independe completamente disso e essa questão não pode ser um fator de influência neste momento.”

Também gera tensionamento a negociação de parte de lideranças da sigla para que o MDB ocupe uma secretaria, provavelmente Transportes, e que tem como principal nome hoje dentro da bancada o deputado Vilmar Zanchin. Já o fato de Leite ter convidado o ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro em governos emedebistas e delegado aposentado da Polícia Federal, José Mariano Beltrame, para comandar a Segurança, não é parte do entendimento entre as duas legendas. “Esse convite é da cota pessoal do governador eleito e de sua tentativa de construir um governo de qualidade. Vai ser ótimo para o RS, mas não tem nenhum direcionamento ao MDB. Se fosse para agradar ao MDB, ele reconduziria o Cezar Schirmer (atual secretário de Segurança)”, compara o presidente do MDB gaúcho, deputado federal Alceu Moreira.