Política

Bolsonaro exonera diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo

Ministro Sergio Moro fará um pronunciamento no final da manhã desta sexta

Bolsonaro decidiu exonerar homem de confiança de Sergio Moro
Bolsonaro decidiu exonerar homem de confiança de Sergio Moro Foto : Marcos Corrêa / PR / CP

O presidente Jair Bolsonaro decidiu exonerar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, que chegou ao cargo indicado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira. Moro fará um pronunciamento no final da manhã de hoje.

Maurício Valeixo foi escolhido por Moro para o cargo no início do ano passado. O delegado foi Superintendente da corporação no Paraná, responsável pela Lava Jato, até ser convidado pelo ministro para assumir a diretoria-geral.

Embora a indicação para o comando da PF seja uma atribuição do presidente, tradicionalmente é o ministro da Justiça quem escolhe. De acordo com o correspondente da Rádio Guaíba em Brasília, Fábio Marçal, o nome preferido do governo federal para assumir o posto deixado por Valeixo é o de Alexandre Ramagem, que atualmente trabalha como diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Quinta-feira atribulada 

Nessa quinta-feira, Jair Bolsonaro quase perdeu seu ministro da Justiça, justamente por conta da continuidade ou não de Maurício Valeixo. Enquanto o chefe de Estado já desejava a saída de Valeixo, Moro então teria cogitado a possibilidade de deixar o governo. A ala militar foi obrigada a entrar em campo para convencer o ministro a permanecer no cargo. No final da tarde, o chefe da Casa Civil, Walter Braga Neto, confirmou a permanência de Sergio Moro na pasta do Ministério da Justiça.

Exaustão na direção da PF 

Maurício Valeixo já havia tratado de sua saída do cargo de diretor-geral da corporação com Moro, que tentava encontrar um nome de sua confiança para o posto. A conversa ocorreu no início do ano. O delegado, amigo do ministro, demonstrou exaustão, reportando-se a um 2019 tenso na direção da corporação.

Interlocutores de Valeixo dizem que a tentativa de substituí-lo ocorre desde o início do ano, mas que não teria relação com o que aconteceu no ano passado, quando Bolsonaro tentou pela primeira vez trocá-lo por outro nome. Na ocasião, o presidente teve que recuar diante da repercussão negativa que a interferência no órgão de investigação poderia gerar.

Nessa quinta, Valeixo reuniu-se com os 27 superintendentes regionais nos Estados por videoconferência. Também participaram os delegados federais que ocupam diretorias estratégicas da PF.

O diretor-geral descartou com veemência que sua saída seja movida por pressões políticas. Ele afastou rumores de que sua disposição em dar adeus à cadeira número 1 estaria relacionada a uma reação de aliados de Bolsonaro por causa de investigações que incomodam o Planalto.

No ano passado, após Bolsonaro antecipar a saída do superintendente da corporação no Rio de Janeiro, ministro e presidente travaram uma queda de braço pelo comando da PF.

Em agosto, o presidente antecipou o anúncio da saída de Ricardo Saadi do cargo, justificando que seria uma mudança por “produtividade” e que haveria “problemas” na superintendência. A declaração surpreendeu a cúpula da PF que, horas depois, em nota, contradisse o presidente ao afirmar que a substituição já estava planejada e não tinha “qualquer relação com desempenho”.

Nos dias seguintes, Bolsonaro subiu o tom. Declarou que “quem manda é ele” e que, se quisesse, poderia trocar o diretor-geral da PF.