Boulos defende frente de esquerda no âmbito nacional

Boulos defende frente de esquerda no âmbito nacional

Em Porto Alegre, ele avaliou ainda os impactos de ações promovidas pelo governo federal

Por
Luiz Sérgio Dibe

Boulos participou do programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, junto com o deputado estadual do Novo, Fábio Ostermann


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Ex-candidato a Presidência da República, Guilherme Boulos (PSol), afirmou nesta terça-feira, em passagem por Porto Alegre, que tem trabalhado permanentemente pela composição de uma frente ampla de esquerda no país para oposição ao governo federal e proposição de uma agenda de recuperação social do Brasil. "O bolsonarismo é destrutivo. Ataca direitos sociais sob a justificativa do impulso ao desenvolvimento. Desregulamentar o trabalho para promover confiança entre investidores não passa de uma abstração. Não existe desenvolvimento em uma sociedade sem a partilha das riquezas através da valorização do trabalho e sem um Estado forte e capaz de fazer investimentos para impulsionar a economia e o setor privado", qualificou.

Boulos realizou palestra à tarde na UFRGS. Antes, concedeu entrevista ao Programa Esfera Pública da Rádio Guaíba, onde debateu temas da atualidade com o deputado estadual Fábio Ostermann (Novo). Para Boulos, a população brasileira já identifica os prejuízos constituídos pela agenda política implementada após o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). "Em 2016, foi a emenda 95, que limita o investimento público por 20 anos, traria a recuperação da economia e não o fez. Em 2017, veio a reforma trabalhista, que iria gerar 4 milhões de empregos e nada aconteceu após quase dois anos. Em 2018, a campanha do Jair Bolsonaro que dizia: o brasileiro tem que escolher se quer direitos ou empregos. Agora, uma reforma da Previdência, que prometia atacar privilégios, mas cobra mais de 80% de seus efeitos dos aposentados pelo regime geral, que ganham em média R$ 1,4 mil, e que terá como principal resultado o empobrecimento da população. É hora de enfrentar esta agenda equivocada em uma frente política formada por partidos, movimentos sociais e cidadãos", apontou.


Questionado sobre a viabilidade da composição de uma frente política que repercuta em alianças eleitorais competitivas no campo de centro-esquerda, Boulos sustentou que será possível "desde que os partidos não coloquem seus interesses e projetos à frente das necessidades da sociedade brasileira". Segundo ele, para que isso ocorra, "ressentimentos e inclinações ao hegemonismo" precisam ser superadas.