Brasil sofre pressão por sua "ascensão no mundo", diz Mourão
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Brasil sofre pressão por sua "ascensão no mundo", diz Mourão

Durante homenagem na Assembleia, vice cita democrata norte-americano, defende as reformas e não faz menção a consequências da crise no partido do presidente

Por
Flavia Bemfica

Declarações de Mourão ocorreram durante o pronunciamento de menos de 10 minutos que ele fez na solenidade realizada na Assembleia Legislativa na qual foi agraciado com a Medalha do Mérito Farroupilha

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O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), disse na manhã desta sexta-feira em Porto Alegre que o Brasil está sob pressão resultante  de sua “ascensão no mundo”, e que o país não tem limites para seu crescimento, contanto que faça as reformas necessárias. “O restante do mundo hoje está estacionado, tem limite para seu crescimento, e nós não, nós temos uma via de acesso aberta, desde que façamos as reformas mais do que necessárias para a criação de um ambiente de confiança e previsibilidade”, avaliou o general da reserva. Sem detalhar quais as reformas o Executivo pretende de fato encaminhar (há idas e vindas em relação à reforma tributária, e na última semana o Ministério da Economia passou a ventilar propostas de uma reforma administrativa, além de uma possível flexibilização na regra de ouro das contas públicas), o vice-presidente informou que o objetivo do governo é chegar a 2022 com as mudanças aprovadas, e estabeleceu uma relação entre elas e a liberdade, citando o ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt.

“Vamos viver dentro daquilo que um dia um grande presidente americano, que foi Franklin Delano Roosevelt, chamou de as quatro liberdades: a liberdade de expressão; a liberdade de religião; a liberdade de não sermos demandados, acionados, pressionados por ninguém; e a liberdade de sairmos às ruas em paz e tranquilidade”, disse. Membro do Partido Democrata, Roosevelt foi o presidente que permaneceu mais tempo no cargo nos Estados Unidos. Foi eleito quatro vezes e comandou o país de 1933 a 1945, quando faleceu. As declarações de Mourão ocorreram durante o pronunciamento de menos de 10 minutos que ele fez na solenidade realizada na Assembleia Legislativa na qual foi agraciado com a Medalha do Mérito Farroupilha, a honraria máxima concedida pelo Legislativo gaúcho. Sua concessão ao vice-presidente foi proposta pelo deputado estadual e tenente-coronel da reserva Luciano Zucco (PSL).

Mourão chegou e saiu do evento sem conversar com a imprensa. Conforme a assessoria, apesar de ele cumprir uma série de agendas no Estado, não foi estabelecido tempo para entrevistas coletivas. Na Assembleia, a preocupação em blindá-lo era tanta que fãs que durante suas viagens ao RS comparecem aos eventos em busca de uma selfie também foram mantidos a distância. As áreas por onde o general transitou dentro do Legislativo permaneceram com acesso restrito aos convidados para a cerimônia. O roteiro do vice em solo gaúcho ocorre em meio à crise deflagrada dentro do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PSL, que está atingindo diretamente o chefe do Executivo, e que tem potencial para impactar de diferentes formas o governo, sua relação com o Congresso e a força do Executivo para aprovar suas pautas.

Depois da homenagem, Mourão seguiu para um almoço fechado no Comando Militar do Sul e, de lá, para uma visita às novas instalações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). No meio da tarde ele se desloca para a cidade de Ijuí.