Política

Comissão que analisa impeachment de Marchezan quer concluir depoimentos antes da quarta-feira

Faltando menos de um mês para o fim do prazo, nem metade das testemunhas arroladas pela defesa do prefeito foram ouvidas em Porto Alegre

Nelson Marchezan cogita lockdown em Porto Alegre
Nelson Marchezan cogita lockdown em Porto Alegre Foto : Alina Souza

A comissão que analisa o impeachment do prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan Júnior (PSDB) na Câmara de Vereadores dá início a uma semana decisiva nesta segunda-feira. Restam 14 dias úteis antes do prazo final para a apreciação da denúncia – e, até agora, menos da metade das testemunhas de defesa prestou depoimento.

A oitiva do ex-secretário de Comunicação da Capital, Orestes de Andrade Júnior, está marcada para as 13h de hoje. Depois disso, o cronograma dos trabalhos é incerto – já que quatro dos nomes arrolados pelos advogados de Marchezan sequer foram notificados da data de seus depoimentos.

Na última sexta-feira, a Justiça deferiu um agravo de instrumento favorável à Câmara, derrubando a medida cautelar imposta pela defesa do prefeito determinando que a Comissão Processante pedisse a liberação dos documentos solicitados pelos advogados do político. Com isso, todas as oitivas podem ser remarcadas.

Com isso, há a expectativa de que todas as testemunhas falem aos parlamentares até a quarta-feira. O prazo final para que a comissão entregue o parecer – favorável, ou não – à cassação do mandato de Marchezan é o dia 9 de novembro. Antes disso, além dos depoimentos, precisa ser marcada a defesa oral do prefeito.

Testemunhas defenderam legalidade de propagandas

Uma campanha publicitária de conscientização no combate à Covid-19 é a peça central da denúncia acatada contra Marchezan. Ele é acusado de financiar as inserções, em rádio e televisão, a partir de recursos do Fundo Municipal de Saúde. O prefeito, entretanto, alega que a manobra – orçada em R$ 2,4 milhões – é legal, e foi autorizada pela Câmara.

O presidente do Sindicato das Agências de Propaganda do Rio Grande do Sul (Sinapro/RS), Fernando Silveira, disse à Comissão Processante que considera o processo normal. Já o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, classificou a acusação como “míope” – uma vez que considera a comunicação como parte das políticas do setor.

A empresária Marta Rossi também defendeu a campanha, afirmando que as inserções feitas em veículos de circulação nacional aumentaram o potencial turístico de Porto Alegre nos últimos anos. O deputado federal Eduardo Luiz Barros (PSDB-MG), que assistiu às peças publicitárias no plenário, declarou não haver nada de errado com a campanha.

Cronograma provisório

• 19/10, às 13h: Orestes de Andrade Júnior, ex-secretário de Comunicação de Porto Alegre
• Data indefinida: Tarso Boelter, ex-diretor da Câmara de Vereadores de Porto Alegre
• Data indefinida: Maurício Dziedricki, deputado federal (PTB-RS)
• Data indefinida: José Fortunati, ex-prefeito de Porto Alegre
• Data indefinida: Samuel Moreira, deputado federal (PSDB-SP)

O secretário de Saúde de Porto Alegre, Pablo Stürmer, também foi escolhido como uma das testemunhas de defesa do prefeito. Entretanto, ele não compareceu ao plenário na data do depoimento e teve a oitiva cancelada. A comissão ainda não bateu o martelo sobre a possibilidade de reagendamento.