Comitê de Dados se reúne à tarde para tratar do novo modelo

Comitê de Dados se reúne à tarde para tratar do novo modelo

Após baixas importantes, há dúvidas sobre quem no governo assumirá função de 'chefe' do sistema

Flavia Bemfica

Duas “baixas” recentes no centro do governo são apontadas como importantes neste momento

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Há, no Executivo, um leque de possibilidades em avaliação para a formatação do modelo que vai substituir o do Distanciamento Controlado, e muitas dúvidas não só em relação a quais serão as novas diretrizes. Há também incertezas sobre quem serão os integrantes do governo que assumirão o papel de protagonistas como idealizadores e coordenadores do sistema, já que os com atribuições para esta função hoje ou possuem perfis mais discretos ou inteiramente técnicos, sem maior experiência na chamada “costura política”.

Internamente, as duas “baixas” recentes no centro do governo são apontadas como importantes neste momento. A da ex-secretária de Planejamento, Leany Lemos, e a do ex-chefe da Casa Civil, Otomar Vivian. Ambos agora desempenham funções no BRDE. Leany preside a instituição e Vivian integra a diretoria.

A ex-secretária, que, mesmo após deixar a pasta, seguiu por mais um período como coordenadora do Comitê de Dados do governo e integrante do Gabinete de Crise contra a Covid-19, dirigiu toda a criação e instalação do Modelo de Distanciamento Controlado. Além de ser tida como detentora de um perfil técnico de altíssimo nível, tinha, lembram os colegas, uma postura rara na relação entre chefes de governo e os integrantes de seus primeiros escalões. Ela argumentava objetivamente com o governador quando discordava de suas posições. Com sua saída, esse contraponto constante teria deixado de existir.

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Vivian, por sua vez, contabiliza décadas como articulador político pertencente aos quadros do Progressistas, tendo desempenhado este papel em diferentes governos, de siglas distintas, e em posições variadas, da presidência da Assembleia Legislativa a secretarias do Executivo, passando por postos diretivos na estrutura estatal. Com estilo sóbrio, gestos calmos e pouco dado a elevar o tom de voz, é tido entre pares de todo o espectro político como um negociador confiável, e que transmite segurança. As características, ressalvam os políticos, não desmerecem o atual chefe da Casa Civil, Arthur Lemos (PSDB), apontado como uma liderança jovem e dinâmica. Apenas marcariam uma diferença de estilo. Vivian atuava mais nos bastidores, sempre de forma discreta e sem pressa, e de forma a frear o ritmo de eventuais medidas até que houvesse um consenso sólido.

À margem da questão do comando, os técnicos já se movimentam para oferecer alternativas de diretrizes a compor o novo modelo. Entre as que estão em estudo há desde o estabelecimento de períodos mais longos do que uma semana para a mudança nos níveis de restrições hoje simbolizadas por quatro cores diferentes de bandeiras (preta, vermelha, laranja e amarela), até um sistema mais próximo do chamado Plano São Paulo, utilizado naquele estado.

Em São Paulo, outro estado comandado pelo PSDB, o governador João Dória também usa um sistema de cores para simbolizar o nível de alerta em relação a pandemia e acionar gatilhos restritivos. Mas há algumas nuances, como cinco fases ao invés de quatro, e a priorização de setores de acordo com a vulnerabilidade econômica e a geração de empregos. Para além dos estudos técnicos, esta possibilidade também é considerada politicamente, já que poderia dar a sensação de que o sistema paulista teria obtido mais sucesso. E Dória e Leite, por enquanto, pleiteiam a indicação do PSDB para a candidatura à presidência da República em 2022.

Na tarde desta quarta-feira o Comitê de Dados do governo gaúcho, coordenado pelo secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, Luís Lamb, se reúne para começar a tratar da formatação do novo modelo. Integrantes do Comitê Científico têm uma série de solicitações e encaminhamentos que estão apontando como fundamentais para o retorno às aulas presenciais, e pediram para participar da reunião.

Nesta manhã também o chefe da Casa Civil, as secretárias da Saúde e da Educação, o líder do governo na Assembleia e os presidentes das comissões de Saúde e Educação do Legislativo se reuniram com integrantes do Cpers para debater alternativas a inclusão de professores e funcionários de escolas nos grupos prioritários da vacinação contra o coronavírus, e todo o cenário posto a partir da liberação das aulas presenciais para todos os níveis de ensino.


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