CPI da Covid vai pedir condução coercitiva de empresário Carlos Wizard

CPI da Covid vai pedir condução coercitiva de empresário Carlos Wizard

Justiça também será acionada para que a Polícia Federal apreenda o passaporte do empresário, que está nos EUA

AE

Wizard teve os sigilos telefônicos e telemáticos quebrados pela comissão na semana passada.

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A CPI da Covid vai solicitar a condução coercitiva do empresário Carlos Wizard para que ele preste depoimento aos senadores. Wizard deveria ter comparecido à sessão da comissão desta quinta-feira mas faltou. A Justiça também será acionada para que a Polícia Federal apreenda o passaporte do empresário, que está nos Estados Unidos, até ele atender à convocação da CPI.

Para a sessão desta quinta também estava previsto o interrogatório do auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, autor de um documento incluído no sistema da Corte indicando supernotificação de mortes por covid-19 no País. O presidente Jair Bolsonaro chegou a citar o estudo, mas em seguida foi desmentido pelo TCU. O depoimento do servidor foi adiado, porém, por causa do início de sessão deliberativa no Senado.

Wizard foi apontado em outros depoimentos à CPI da Covid como integrante de um "gabinete paralelo" que aconselhava Bolsonaro na condução da pandemia do novo coronavírus. O aconselhamento extraoficial incluiria a recomendação de medicamentos sem eficácia comprovada, como cloroquina, e a promoção da chamada "imunidade de rebanho".

A CPI mira 14 integrantes desse gabinete paralelo, entre políticos, assessores e médicos. Na lista, além de Wizard, estão a oncologista Nise Yamaguchi, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) e o ex-assessor da Presidência da República Arthur Weintraub.

Wizard teve os sigilos telefônicos e telemáticos quebrados pela comissão na semana passada. Ele chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra as medidas, mas teve o pedido de liminar negado pela ministra Rosa Weber.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), criticou o fato de o empresário ter solicitado proteção ao STF para seu depoimento. O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, concedeu habeas corpus autorizando que Wizard ficasse em silêncio durante a oitiva.

"O que me espanta é um cidadão procurar o Supremo para conseguir habeas corpus para vir à CPI ficar em silêncio e não aparecer. Para que foi ao Supremo se não vinha? O ministro Barroso com certeza tem muitos afazeres. Não dá para levar na brincadeira o STF", disse o presidente do colegiado.

O auditor do TCU também foi beneficiado por habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes que o autoriza a ficar em silêncio durante o depoimento.

Rio

Hoje, a CPI vai analisar requerimentos de convocação do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e do secretário de Saúde, Alexandre Chieppe, além da quebra dos sigilos telefônico e fiscal de organizações sociais que administram unidades de saúde no Estado. Ao depor na comissão, anteontem, o ex-governador Wilson Witzel (PSC) disse haver esquema de desvios de recursos da saúde no Rio.

Os senadores devem agora aprovar a realização de uma sessão secreta para um novo depoimento de Witzel. O ex-governador prometeu revelar fatos "gravíssimos", que comprovariam a interferência do governo federal na gestão do Rio e desvios de recursos da saúde do Estado por meio das organizações sociais. No depoimento de anteontem, o ex-governador disse que os hospitais federais no Rio "têm um dono".

A CPI ouvirá hoje os médicos Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Eduardo Cardoso Alves. Está na pauta do colegiado, ainda, a votação da quebra dos sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal de seis organizações que fazem parte da rede de saúde do Rio: Associação Filantrópica Nova Esperança, Instituto Unir Saúde, Viva Rio, Associação Mahatma Gandhi, Instituto dos Lagos Rio e Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas).

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