CPI quer ouvir servidora do Planalto que fez requerimentos de governistas

CPI quer ouvir servidora do Planalto que fez requerimentos de governistas

Renan Calheiros também disse que há intenção de aprovar requerimento para convocar Fábio Wajngarten

AE

Renan Calheiros é o relator da CPI da Covid-19

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O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL) e o vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) querem convocar a servidora do Planalto Thaís Amaral Moura para depor na comissão, instalada no Senado na última terça-feira. A assessora especial da Secretaria de Assuntos Parlamentares da Presidência foi apontada como autora de requerimentos apresentados na CPI pelos senadores governistas Ciro Nogueira (Progressistas-PI) e Jorginho Mello (PL-SC).

"O pessoal quer convocar. O Randolfe falou em convocar. É provável, mas os requerimentos de convocação só deverão ser votados depois das audiências", afirmou Renan ao Estadão, numa referência aos depoimentos dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello e do atual titular da pasta, Marcelo Queiroga. Renan também disse que há intenção de aprovar requerimento para convocar Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social da Presidência.

É possível encontrar o nome da servidora Thaís Amaral Moura ao acessar as propriedades dos arquivos das solicitações dos senadores. A pasta onde Thaís trabalha é vinculada à Secretaria de Governo, comandada por Flávia Arruda. Jorginho e Ciro integram o Centrão e fazem parte da tropa de choque do governo na CPI da Covid.

Na lista dos requerimentos de Ciro com a autoria identificada como tendo origem no Palácio do Planalto estão a convocação da médica Nise Yamaguchi, conhecida por defender o uso da cloroquina contra o coronavírus, prática não recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma vez que pode acarretar efeitos colaterais adversos. Presidente do Progressistas, Ciro também solicitou a convocação do prefeito de Chapecó (SC), João Rodrigues (PSD), como testemunha.

O presidente Jair Bolsonaro já disse que Rodrigues faz um "trabalho excepcional" porque deu "liberdade" a médicos para a prescrição do "tratamento precoce", com uso de medicamentos sem eficácia comprovada. "Não sei como salvar vidas, não sou médico. Mas não posso tolher a liberdade do médico", afirmou Bolsonaro em discurso, há duas semanas.

Jorginho Mello apresentou requerimento que propõe convidar Gilberto Valente Martins, procurador-geral de Justiça no Pará, com o objetivo de ouvi-lo sobre recursos públicos federais repassados para uso no combate ao coronavírus. O pai do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB-AL), é o senador Jader Barbalho (MDB-PA), que é suplente da CPI e está na oposição a Bolsonaro.

Na quinta-feira, o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) discutiu com Renan e Randolfe na hora de votar requerimentos na CPI. "Não podemos aprovar requerimentos para tirar o foco da investigação", argumentou Renan, em debate com aliados do presidente. "O foco da CPI não pode ser aquele dado pelo relator", retrucou Marcos Rogério.

O comentário provocou reação da oposição. "E também não pode ser o que veio do Palácio do Planalto", devolveu Randolfe Rodrigues. Após o bate-boca, a sessão foi suspensa por meia-hora. Um dos autores dos requerimentos que tiveram a digital do Planalto, Ciro afirmou que os pedidos eram, sim, de autoria dos senadores e precisavam ser analisados. "Vamos votar os que foram assinados por senadores. O senhor não vai impedir. Vote contrário", disse Ciro a Renan, naquela ocasião.


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