Deltan incentivou cerco da Lava Jato a Toffoli, revelam mensagens
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Deltan incentivou cerco da Lava Jato a Toffoli, revelam mensagens

Procurador buscou evidências que ligassem o ministro e sua esposa a empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras

Por
Correio do Povo

Deltan buscou informações para melindrar Dias Toffoli, conforme mensagens interceptadas do Telegram

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O procurador do Ministério Público Federal em Curitiba, Deltan Dallagnol, incentivou colegas em Brasília e Curitiba a investigar o ministro Dias Toffoli em 2016, momento em que o atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) começava a ser visto como adversário da Operação Lava Jato. As informações foram divulgadas, na manhã desta quinta-feira, pela Folha de São Paulo e The Intercept Brasil. Ministros do STF não podem ser investigados por procuradores da primeira instância, mesmo assim, dados dele e da esposa foram coletados.

As mensagens examinadas mostram que Deltan teria desprezado os limites da Constituição - que determina que somente o STF pode autorizar investigação de ministros da Corte - ao estimular uma ofensiva contra Toffoli. As mensagens trocadas entre os procuradores pelo Telegram sugerem ainda que ele recorreu à Receita Federal para levantar informações sobre o escritório de advocacia da mulher do ministro, Roberta Rangel. O objetivo era buscar evidências que ligassem o ministro e sua esposa a empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras

O chefe da força-tarefa começou a manifestar interesse por Toffoli em julho de 2016, quando a empreiteira OAS negociava um acordo para colaborar com as investigações da Lava Jato em troca de benefícios penais para seus executivos.

De acordo com a revelação das mensagens, em 27 de julho daquele ano, Deltan procurou Eduardo Pelella, chefe de gabinete do então procurador-geral, Rodrigo Janot, para repassar informações que apontavam Toffoli como sócio de um primo num hotel no interior do Paraná. Deltan não indicou a fonte da dica.

Em suas primeiras reuniões com os procuradores da Lava Jato em 2016, os advogados da OAS contaram que a empreiteira havia participado de uma reforma na casa de Toffoli em Brasília. Os serviços tinham sido executados por outra empresa indicada pela construtora ao ministro, e ele fora o responsável pelo pagamento.

O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que disse ter tratado do assunto com Toffoli e era réu em vários processos da Lava Jato, afirmou a seus advogados que não havia nada de errado na reforma, mas o caso despertou a curiosidade dos procuradores. 

Duas decisões de Toffoli no STF tinham contrariado interesses da força-tarefa nos meses anteriores. Ele votou para manter longe de Curitiba as investigações sobre corrupção na Eletronuclear e soltou o ex-ministro petista Paulo Bernardo, poucos dias após sua prisão pelo braço da Lava Jato em São Paulo.

Mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e analisadas pela Folha junto com o site estão sendo reveladas em reportagens desde 9 de junho.