DEM nega que já exista negociação com PP e reafirma candidatura de Onyx ao Piratini

DEM nega que já exista negociação com PP e reafirma candidatura de Onyx ao Piratini

Rodrigo Lorenzoni diz que é preciso separar construção de candidatura e 'fome de poder'

Flavia Bemfica

O secretário Onyx Lorenzoni é pré-candidato, pelo Dem, para o governo do Estado

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O presidente estadual do DEM e secretário de Desenvolvimento de Porto Alegre, Rodrigo Lorenzoni, negou, na tarde desta segunda-feira, a existência de negociações com o PP para que o DEM indique um vice na chapa do hoje senador Luis Carlos Heinze (PP) ao governo do RS em 2022. O dirigente assinalou que o pré-candidato do DEM ao Piratini é o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, que a pré-candidatura está consolidada dentro do partido, e que conta com apoio da direção nacional. O PP oficializou a pré-candidatura de Heinze ao Piratini em evento realizado durante a manhã e parte da tarde em Porto Alegre.

A existência de tratativas entre o PP e o DEM no RS no sentido de encaminhar uma aliança em torno do nome de Heinze vem sendo ventilada por diferentes lideranças do PP nas últimas semanas, inclusive com especulações sobre nomes do DEM para compor a chapa, como o da vereadora Nadia Gerhard. Lorenzoni assegura que as conversas por enquanto não existem e que o partido segue decidido a lançar Onyx ao Piratini. “O projeto do DEM é a pré-candidatura do ministro Onyx Lorenzoni ao governo do Estado. Ela está posta. Assim como lideranças do PP enxergam na vereadora Nadia uma boa candidata a vice de Heinze, enxergamos a deputada estadual Silvana Covatti (PP) como uma espetacular vice para o ministro Onyx”, compara.

Lorenzoni adiantou que a primeira conversa institucional do DEM com o PP no RS para tratar de cenários de 2022 ocorrerá nesta quarta-feira, 16. Será um almoço entre os presidentes das duas siglas, do qual participará também o deputado estadual Ernani Polo, que intermediou o encontro. A iniciativa partiu do PP. O secretário não descarta a possibilidade de uma coalizão com o PP para 2022, mas insiste em que o projeto do DEM é a cabeça de chapa. “Podemos estar juntos? Sim, podemos. Isto é definidor para o nosso projeto? Não, não é. O fato é que o tempo, as pesquisas e a sociedade é que vão mostrar quais candidatos têm mais condições para disputar a eleição.”

De acordo com o dirigente, o DEM não fez até agora um ato público pelo lançamento da pré-candidatura de Onyx por entender que este não é o momento de antecipar o debate eleitoral. As definições sobre 2022, na legenda, começarão a ocorrer a partir do mês de outubro. “Temos mais de um ano para a eleição. Nunca se viu firmar coligação faltando tanto tempo. Precisamos separar o que é construir uma candidatura alinhada com determinadas ideias e princípios e o que é fome de poder. O DEM tem uma característica: quando firma um candidato, ou quando dá a palavra para uma coligação, depois não volta atrás”, disse.

A afirmação, mesmo que indiretamente, acaba por trazer a lembrança do que ocorreu durante o período de articulações das eleições de 2018. Naquele ano, Heinze havia anunciado antecipadamente sua candidatura ao Piratini. Mas precisou retirá-la após a então senadora Ana Amélia Lemos (PP) ser indicada vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa presidencial e as negociações terem desdobramentos regionais, com o PP, em um processo que gerou diversas fraturas internas, apoiar Eduardo Leite (PSDB) para o governo, cabendo a Heinze a vaga do Senado.

Questionado sobre se o movimento de antecipação de Heinze lhe garante alguma vantagem no sentido de se consolidar como o palanque do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no RS, Lorenzoni respondeu que a escolha caberá a Bolsonaro e não aos partidos. “Neste sentido, é legítimo o trabalho do senador e do PP. Mas não podemos esquecer que o ministro Onyx já ocupou três pastas no atual governo, e que foi o articulador do embrião do projeto da candidatura presidencial de 2018. É um projeto que nasceu na mesa de jantar da casa do ministro. Assim, entendo que vamos ter a capacidade de conversar e o desprendimento necessário para que o presidente tenha um palanque forte e sólido no RS. Que, repito, caberá a ele escolher.”


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