Dez vereadores de Porto Alegre deverão trocar de partido
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Dez vereadores de Porto Alegre deverão trocar de partido

Com foco na eleição de outubro, mudanças vão ocorrer entre os dias 5 de março e 3 abril

Por
Luiz Sérgio Dibe

Dez vereadores de Porto Alegre deverão trocar de partido

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No mínimo dez vereadores da Câmara de Porto Alegre, entre os 36 que integram a atual legislatura, deverão trocar de partido na janela entre 5 de março a 3 de abril, segundo o calendário da Justiça Eleitoral. Nesse período, as trocas são possíveis sem representarem risco de perda do mandato, além de garantirem a disputa na eleição. 

As razões apontadas pelos vereadores são diversas. Vão desde a insatisfação com a postura e tratamento de seus atuais dirigentes e colegas, até a vontade de ocupar um enquadramento político e ideológico mais condizente com suas aspirações. Contudo, as decisões envolvem questões práticas, como acesso a recursos para campanha e a possibilidade de equiparar competitividade, tanto contra adversários, quanto com os futuros parceiros de nominata. A eleição de outubro e as novas regras do pleito também influenciam diretamente nas escolhas. 

Entre os partidos cujos vereadores irão trocar de sigla para concorrer no próximo pleito, o que deverá ter a bancada mais afetada é o MDB. Maior bancada na atual legislatura, poderá perder três dos seus cinco componentes. Dois deles, a comandante Nádia Gerhard e Valter Nagelstein, que exerceu cargo de presidente do Legislativo municipal em 2018, já comunicaram formalmente a sua saída à direção do partido. 

“Minha vida está decidida. O MDB está encaminhando sua opção de pré-candidatura a prefeito, me impedindo de concorrer. Há tempo venho defendendo que era minha vez. Por fim, comuniquei que não iria me submeter a prévias. Portanto, escolhi migrar para o PSD, onde querem que eu concorra, reconhecem minha história e trajetória política”, explica Nagelstein. 

Nádia, por sua vez, ainda não anunciou qual sigla passará a integrar, resignando-se a informar, por meio de sua assessoria, que tomará a decisão nas próximas semanas, dentro do período previsto da janela. O terceiro integrante do MDB a sair da sigla pode ser o vereador Pablo Mendes Ribeiro. Filho e neto de emedebistas que participaram da formação do partido no Estado, Pablo diz que prefere tratar o tema de forma cautelosa. “Existe esta ligação muito forte da minha família com o partido. No entanto, tenho meu próprio projeto político. Pretendo prosseguir como vereador. Ouvirei a todos, mas farei aquilo que for melhor para mim”, sentencia o vereador.

Políticos querem mais identidade ideológica 

Estabelecer uma identidade ideológica junto ao eleitorado é um componente significativo para sobrevivência política diante das novas regras. Essa é a justificativa de alguns vereadores para a troca de sigla. Atual líder do governo na Câmara, Mauro Pinheiro (Rede) aguarda o prazo legal para a migração. “Meu partido elegeu apenas um deputado federal e não superou a cláusula de barreira. Não tenho como concorrer sem tempo de propaganda e sem recurso”, justifica. Diz que definirá a passagem para uma sigla de centro ou centro-direita, enquadrando-se ao seu campo ideológico, enquanto acredita que seu partido, nacionalmente, tende para a formação de alianças com o campo da esquerda e centro-esquerda.

Ricardo Gomes (PP) percorrerá um caminho em sentido inverso. “Sou liberal e vejo meu atual partido como um representante essencialmente conservador, sobretudo no cenário político gaúcho. Temos atuado com respeito a posicionamentos, mas em decisões macro venho enfrentando diversas situações de alinhamento”, qualifica. O provável destino deve ser o Democratas.

A vereadora Cláudia Araújo (PSD) optará por uma sigla identificada com os campos de centro e centro-esquerda. “O mais importante é a garantia de respeito à minha independência para votar nas pautas que acredito. Partidos que trabalham com a lógica de voto fechado em bancada não me interessam. A gente precisa saber onde se encaixa e onde tem chance real de se reeleger”, pondera.

Descontentamento foi motivação 

“Descontentamento com alguma coisa a gente sempre tem. Prefiro tratar isso internamente. Agora, o que todo mundo quer é se fortalecer para as eleições, porque agora não tem mais coligação. Estou analisando entre PP, MDB, PTB, SDD e PSD”, indica João Bosco Vaz (PDT). Ele se elegeu com 4.993 votos, pela coligação entre PDT, MDB e o PRB. 

O vereador Hamilton Sossmeier (PSC) avalia migrar para o PP, MDB, PTB, SDD e PSD. A meta é assegurar a condição equânime para a competição das urnas. Com a mudança na legislação, a estimativa é de que serão necessários entre 19 mil e 22 mil votos para garantir uma vaga na nova regra.

Cassiá Carpes (PP) afirma estar examinando quatro convites recebidos para concorrer ao sexto mandato em outra sigla. Segundo ele, a decisão em relação a cada um passará pela nominata dos partidos e por quem será o candidato a prefeito, logo, com quem irá dividir a foto e o palanque na campanha.

Apontado como integrante do grupo que analisa trocar de sigla, Cláudio Conceição (Dem) foi procurado, mas não retornou. O único a obter o direito de trocar de sigla antes da janela eleitoral, por meio de uma Ação de Justa Causa vencida na Justiça, o vereador Wambert di Lorenzo deixou o Pros e ingressou no PL, em novembro de 2019.

Presidente prevê impacto mínimo 

Para o presidente da Câmara de Porto Alegre, Reginaldo Pujol (Dem), os impactos e as alternâncias no regime de forças “serão mínimos” com as trocas de siglas. Considera que o pluripartidarismo da política é exagerado e, com raras exceções, há um estado de “fraqueza doutrinária” no conjunto das siglas. “Para os futuros candidatos há dois movimentos claros. Por um lado, procurar forças políticas com capacidade de dar suporte à campanha. Por outro, evitar a companhia de concorrentes muito fortes na nominata. Tornou-se muito evidente o receio de não se eleger”, conclui Pujol. 

Vereadores que deverão trocar de sigla na janela:

Valter Nagelstein (MDB)
Comandante Nádia (MDB)
Pablo Mendes Ribeiro (MDB)
Ricardo Gomes (PP)
Cassiá Carpes (PP)
Mauro Pinheiro (Rede)
Cláudia Araújo (PSD)
Hamilton Sossmeier (PSC)
João Bosco Vaz (PDT)
Cláudio Conceição (Dem)