Eduardo Bolsonaro apaga publicação em que fala sobre 5G e 'espionagem chinesa'

Eduardo Bolsonaro apaga publicação em que fala sobre 5G e 'espionagem chinesa'

Em postagem no Twitter, deputado destacava a adesão do Brasil ao programa Clean Network, capitaneado pelos Estados Unidos e que tenta barrar a tecnologia chinesa no 5G

AE

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O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) apagou nesta terça-feira publicação nas redes sociais em que destacou a adesão do Brasil ao programa Clean Network sobre a tecnologia 5G. No texto apagado, o filho do presidente cita que a iniciativa é uma "aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China". O tuíte, publicado na segunda-feira por volta das 20 horas, destacava que a inicaitiva é de origem norte-americana. 

A publicação apagada acompanhava imagem que dizia que, com a medida, o Brasil "se afasta da tecnologia da China" e ainda que a "aliança Clean Network repudia iniciativas classificadas como atos de vigilância do governo chinês". O deputado fez uma série de tuítes sobre o assuntos, mas apenas o primeiro deles foi apagado.

Nos demais tuítes, Eduardo Bolsonaro citou, por exemplo, fala atribuída ao ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o governo estar analisando "alertas geopolíticos" no âmbito da tecnologia 5G. "O programa ao qual o Brasil aderiu pretende proteger seus participantes de invasões e violações às informações particulares de cidadãos e empresas. Isso ocorre com repúdio a entidades classificadas como agressivas e inimigas da liberdade, a exemplo do Partido Comunista da China", escreveu Eduardo.

Nesta terça-feira, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, confirmou o nome de Carlos Baigorri como o relator do leilão do 5G na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O novo relator foi apresentado para o presidente Jair Bolsonaro. O leilão é alvo de pressões internacionais, envolvendo a disputa entre o governo americano e a empresa chinesa Huawei. A companhia é líder no desenvolvimento do 5G, mas é acusada de ser trabalhar com o governo chinês. Em coletiva no Planalto, Fábio Faria negou que questões geopolíticas tenham sido tratadas na reunião com o presidente. 

A reunião também  teve a participação do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Em março deste ano, o GSI listou os requisitos mínimos de Segurança Cibernética que devem ser adotados no estabelecimento das redes 5G de telefonia móvel. A instrução normativa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

"O GSI participa porque se trata também de questão de segurança nacional. O GSI participa e participará, tem um papel fundamental", disse Faria. Questionado sobre um possível decreto presidencial para barrar a Huawei no País, Faria respondeu: "Ai você quer entrar em uma área que não é a minha".

Na coletiva, Faria informou que na semana que vem deverá se encontrar com "players europeus" e que em janeiro visitará a Ásia. A ideia é conhecer "mais de perto" as propostas internacionais para a rede 5G. Questionado sobre a publicação de Eduardo Bolsonaro relacionada à adesão do Brasil ao programa Clean Network para se afastar da "espionagem chinesa", o ministro evitou responder diretamente e rebateu: "Liga para o Eduardo (Bolsonaro)". Em seguida, encerrou a conversa com os jornalistas.

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Novo relator do leilão 5G

Servidor de carreira da Anatel desde 2009, Baigorri assumiu o lugar de Vicente Aquino, relator original, que deixou o conselho diretor da agência com o vencimento do seu mandato no início do mês. A escolha foi feita por meio de sorteio.  Na coletiva, Baigorri destacou que o leilão é "uma prioridade máxima" do governo e confirmou que este deve ocorrer até a metade do ano que vem.

“A previsão é de ter o edital aprovado na Anatel no começo do ano que vem, sendo que a sessão de lances deve acontecer ao final do primeiro semestre. Esse é cronograma com que trabalhamos e vamos persegui-lo apesar de todos os desafios que se colocam à nossa frente”, disse Baigorri.

Além de Baigorri, também participaram do encontro com Bolsonaro o presidente do Conselho da Anatel, Leonardo Euler de Morais, e o conselheiro Emmanoel Campelo de Souza Pereira. “Esse deverá ser o maior leilão de direito de uso de radiofrequência da história do Brasil. Nós estamos trabalhando com uma abordagem que privilegia o compromisso de investimento em detrimento de uma abordagem meramente arrecadatória”, afirmou Euler.


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