Debate de candidatos à Prefeitura de Porto Alegre tem propostas e acusações

Debate de candidatos à Prefeitura de Porto Alegre tem propostas e acusações

Encontro foi organizado pelo Correio do Povo, Rádio Guaíba e a Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs)

Correio do Povo

Debate foi realizado no Teatro da Amrigs

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O debate entre os dez candidatos à Prefeitura de Porto Alegre, realizado nesta terça-feira, no Teatro da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), foi marcado por propostas de governo e troca de acusações entre os participantes. Promovido por Correio do Povo, Rádio Guaíba e Amrigs, o encontro foi dividido em quatro blocos, utilizando o sistema de perguntas diretas de um candidato para o outro, com direito a réplica e tréplica. 

Respeitando os protocolos sanitários e cumprindo o distanciamento social, participaram do debate os seguintes candidatos, cujos partidos ou coligações atendem aos requisitos exigidos pela lei eleitoral: Fernanda Melchionna (PSol), Gustavo Paim (PP), João Derly (Republicanos), José Fortunati (PTB), Juliana Brizola (PDT), Manuela D'Ávila (PCdoB), Nelson Marchezan Jr. (PSDB), Rodrigo Maroni (PROS), Sebastião Melo (MDB) e Valter Nagelstein (PSD). 

Os dois primeiros blocos foram tranquilos, mas o clima esquentou a partir da terceira parte do debate quando a lógica se inverteu e os postulantes escolheram quem lhes fazia perguntas, ainda com direito a réplica e tréplica.

Primeiro bloco: Educação, Economia e Gestão Participativa 

O primeiro bloco foi marcado por discussões sobre Educação, gestão participativa e desenvolvimento econômico da Capital. Manuela D’Ávila (PCdoB) foi a primeira a responder questionamentos. A candidata afirmou que, em primeiro lugar, considera importante e recuperação do ano letivo de 2020 e disse que a rede municipal apresenta melhores resultados nas escolas com mais horas-aula. Também falou que a Procempa pode disponibilizar a internet para crianças que não dispõem, garantindo o modelo de ensino híbrido. “Defendo que ampliemos, sim, com o novo recurso que virá com o Fundeb, as horas-aula do Ensino Fundamental.”

Juliana Brizola (PDT), que defendeu o modelo de escola em tempo integral implementado por seu avô Leonel Brizola. Ela ainda disse que desde o governo de Aleu Collares esse modelo não foi mais utilizado e que o contraturno escolar é diferente da proposta que defende. De acordo com ela, o modelo de tempo integral comprovadamente aumenta os índices do Ideb. “Educação será nossa prioridade.”

Sebastião Melo (MDB) afirmou que o desenvolvimento econômico deve ser o principal tema para a cidade. Segundo ele, a retomada deve ser feita com atitudes concretas, como licenciamentos mais rápidos, autolicenciamentos e autodeclaração de habite-se por parte dos empreendedores. Ainda mencionou que não pode ocorrer aumento de impostos e falou que é necessário promover regularização fundiária de mais de 800 áreas na cidade. “Tenho, desde que fui vereador e presidi a Câmara, muito compromisso com essas área de regularização.”

José Fortunati (PTB) afirmou que a cidade empobreceu nos últimos anos, aumentando a quantidade de pessoas em situação de rua. Disse que quer fazer um governo pautado pelo diálogo e, questionado sobre a ausência de políticas para mulheres em seu plano de governo, disse que tem um programa amplo, que quer devolver protagonismo ao público feminino. “A proposta é muito clara: retomarmos todas as politicas do nosso governo, o trabalho de proteção e inclusão.”

Valter Nagelstein (PSD) utilizou parte de seu tempo para criticar Manuela D´Avila e Nelson Marchezan Júnior e afirmou que é necessário aumentar 30% o atendimento dos postos de saúde até as 22h, criar mais diálogo com os médicos. Disse que concorda com o modelo de contratualização implementado pela atual gestão, mas que discorda do cancelamento do repasse para creches em abril deste ano. “Cada creche recebe R$ 508 por crianças. Todas merecem a nossa atenção e as mães, o nosso cuidado e o nosso carinho.”

Fernanda Melchionna (PSol) afirmou que suas diferenças com Manuela D’Ávila é com relação à política de conciliação de classes dos governos petistas. Ainda fez críticas a candidatos ligados ao nome do presidente Jair Bolsonaro e disse que o auxílio emergencial de R$ 600 só foi garantido por ela e outros deputados federais de oposição. “Precisamos de uma esquerda renovada e queremos ter a chance de mostrar uma esquerda coerente.”

Questionado sobre a gestão de resíduos, Nelson Marchezan Júnior (PSDB) falou que em sua gestão tirou o DMLU e o DEP das páginas policiais. Também falou que implementou o projeto mais moderno de logística reversa do Brasil, onde a empresa poluidora é a empresa pagadora, tendo que dar destinação pelo mesmo volume de materiais que coloca no mercado. Ainda citou estudos em andamento de Parceria Público-Privada para os resíduos sólidos e concessão na área de saneamento. “Para os catadores, devemos profissionalizarmos. Devemos ter carteira assinada, 13o salário, férias, através das empresas privadas que darão destinação correta.”

João Derly (Republicanos) disse que quer trabalhar para uma política pública de usinas de resíduos da construção civil e que entende que o prefeito deve ser o grande articulador da cidade. Também mencionou que a participação popular está em seu DNA e que pretende criar um comitê gestor deliberativo para participação popular. “Os maiores projetos que construí na Câmara foram fazendo prestações de contas nas ruas.”

Gustavo Paim (PP) disse que Porto Alegre passa por uma crise social e econômica muito grande e que seria maior ainda se não tivesse ocorrido auxílio do governo federal. Criticou Fernanda Melchionna e o PSol por, segundo ele, fazerem disputas ideológicas. O candidato defendeu a desburocratização e medidas como redução do IPTU e revisão do ISS. “Porto Alegre precisa destravar sua economia.”

Rodrigo Maroni (Pros) utilizou a maior parte de seu tempo para criticar a receita de campanha de Manuela D’Ávila. Ele disse que acredita que levará décadas para recuperar a Capital economicamente e que nenhum candidato tem a solução para o problema. “Tenho falado em todos os locais que acredito que vai levar uns 40 anos para recuperar essa economia. Vivo aqui desde 1981 e nunca vi ser uma prioridade.”

Segundo bloco: Candidatos discutem sobre o Hospital de Pronto Socorro 

No segundo bloco do debate, os candidatos responderam a uma pergunta única, feita pelo presidente da Amrigs, Gerson Junqueira Júnior, sobre os projetos direcionados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), administrado pelo governo municipal, que sofre com a escassez de materiais e insumos, falta de aquisição de tecnologia de ponta e equipamentos. 

Por ordem estabelecida em sorteio, o primeiro a responder ao questionamento foi o candidato do PP, Gustavo Paim. Ele admitiu que o HPS enfrenta dificuldades de insumos e estrutura física. Como proposta, apontou que a administração municipal pode alienar parte de seu patrimônio em imóveis para captar recursos, fazer uma parceria com a iniciativa privada e transformar em investimentos para reformar ou construir um novo hospital de pronto-socorro.

Na sequência, Fernanda Melchionna (PSol) informou que, como deputada federal, destinou ao HPS R$ 2 milhões em emenda parlamentar para auxiliar nas reformas. Disse que o hospital sofre com a falta de equipamentos e com a falta de um conjunto de profissionais da saúde. Atribuiu esta última ao atual prefeito que, segundo ela, não abre concurso. Disse que governará em conjunto com servidores e profissionais.

Sebastião Melo (MDB) dividiu a solução dos problemas em duas linhas principais. A primeira, segundo ele, é a da manutenção do diálogo com os profissionais do hospital. E a segunda, a da infraestrutura. O candidato afirmou que a instituição vem recebendo melhorias ao longo do tempo, mas admitiu também a necessidade de reestruturação. E disse que caso a opção seja por uma mudança de local, será preciso manter sua centralidade.

João Derly (Republicanos) assinalou que o HPS não tem acessibilidade e nem vagas para pessoas com deficiência (PCDs), citou problemas em escalas de plantonistas e em salas de cirurgia, o sucateamento e a falta de pessoal. Sugeriu a possibilidade de que seja dado início a debate para que a estrutura possa ser transferida a outro local e propôs a intensificação de trabalho na atenção primária para poder desafogar o hospital.

Rodrigo Maroni (Pros) informou que já foi usuário do HPS, criticou outros candidatos e administrações e afirmou que a resposta ao questionamento não poderia ser dada com profundidade por nenhum dos presentes. Segundo ele, quem poderia dar a resposta seriam os servidores públicos, que poderiam, conforme o candidato, fornecer uma resposta menos demagógica que os postulantes ao Paço.

Nelson Marchezan Júnior (PSDB) citou dados da instituição. Conforme ele, o HPS faz hoje 450 exames da Raio-X. Ele disse também que o hospital faz 70% a mais de cirurgias do que fazia antes e que possui tempo de internação 44% menor. Segundo o tucano, a prefeitura está entregando a reforma da enfermaria da traumatologia e trocando os elevadores, implantou sistema de gestão e aprovou a lei da permuta de imóveis.

Manuela D’Ávila (PCdoB) referiu solução em três linhas. A primeira com foco nos trabalhadores do hospital, sem a qual considerou impossível garantir as melhorias. A segunda na necessidade de fortalecimento dos investimentos públicos. E, a terceira, referente ao Samu. Lembrou que o sistema foi implementado durante as administrações petistas, aliadas ao PCdoB, e disse que a reestruturação passará pelo seu fortalecimento.

Valter Nagelstein (PSD) relatou a história de um familiar atendido no hospital para assinalar a qualidade do atendimento. Disse que destinou R$ 600 mil ao HPS em emenda, mas que a verba não chegou, por não ter sido autorizada pelo governo. Afirmou também que no ano passado o deputado Danrlei teria destinado R$ 1 milhão ao Hospital Independência, que apontou como vinculado ao HPS, mas que os recursos também não chegaram.

José Fortunati (PTB) afirmou que em sua gestão os profissionais foram valorizados, foi feita uma ampla reforma da emergência, com investimento de R$ 14 milhões, ocorreu a desapropriação de prédios do entorno para garantir a ampliação necessária e realizados os projetos para garantir a continuidade das reformas. E ressalvou que a troca de local do hospital esbarra na escassez de áreas equivalentes em tamanho e localização estratégica.

Última a responder, Juliana Brizola (PDT) apontou que o programa de obras públicas proposto por sua candidatura inclui o HPS. Também destacou que pretende valorizar os servidores, considerando equivocada a referência aos mesmos como corporações, e defendendo que eles vêm sendo desrespeitados. A candidata se comprometeu ainda a realizar concurso público para a qualificação do sistema de saúde pública de Porto Alegre.

Terceiro bloco: Tensão aumenta entre os candidatos 

A tensão aumentou no terceiro dos quatro blocos do debate. Um dos momentos de discussões mais acaloradas foi quando Gustavo Paim (PP) escolheu ser questionado por Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Os atuais prefeito e vice-prefeito estão rompidos há mais de um ano, o que já virou, inclusive, questão de Justiça, anulando decretos de Marchezan restringindo funções do gabinete de Paim. Após a pergunta do tucano, sobre a perspectiva de futuro para as finanças da prefeitura, o progressista reconheceu que houve controle das despesas, mas afirmou que houve instabilidade na administração municipal, resultando em 59 trocas de secretários e adjuntos ao longo de 46 meses de governo.

O atual prefeito afirmou que respeitou o interesse de titulares que quiseram sair e que não permitiu que pessoas suspeitas de desvio de dinheiro público entrassem no governo, mas também disparou contra o vice-prefeito. “Desliguei alguns secretários, alguns por incompetência. Tu foste um deles, Paim. Tu não eras bom na Secretaria de Relações Institucionais, tive que te desligar e aprovei todas as reformas.”

O candidato do PP rebateu, chamando Marchezan de incompetente. “O prefeito de Porto Alegre não sabe liderar, é autocrático, não dialoga, não constrói e isso quem paga é a cidade.” Depois disso, quando perguntava para outro candidato, ainda acrescentou que em maio foi pressionado para assinar contratos de R$ 20 milhões em publicidade. “Queria me sacanear ou realmente achava aquilo legal?”, indagou.

Outro momento mais acirrado foi quando João Derly (Republicanos) foi questionado por Rodrigo Maroni (Pros) sobre ter sido processado por Manuela D’Ávila após ter dito que a candidata tinha um slogan de campanha parecido com o seu. O da representante do PCdoB é “Agora é Manuela”, enquanto que o de Derly é “Porto Alegre é agora”. “Fiz essa comparação demonstrando que seja um projeto pessoal da própria candidata e o nosso é um processo de cidade.” Ao final do bloco, Manuela teve concedido o direito de resposta. Afirmou que entrou na Justiça contra Derly por entender que havia cometido crime eleitoral. Ainda se referiu a Maroni como “o outro candidato” e “candidato fake”, dizendo que realizou denúncia criminal contra ele.

O restante do bloco foi menos polêmico. Sebastião Melo (MDB) afirmou que o futuro gestor da Capital precisará repactuar a licitação do transporte coletivo e que sentará com vereadores para rever algumas isenções, como para pessoas acima de 65 anos que não tenham necessidade de deixar de pagar pela passagem. Também falou que considera equivocado que governos cobrem impostos sobre o que incide sobre o transporte. Questionado sobre a privatização da Carris, disse que tem uma posição clara, já que ela detém 22% do sistema. “Se for necessário para repactuar o sistema ter uma passagem mais barata e atender o cidadão, não tenho nenhuma dúvida em privatizar a Carris.”

Juliana Brizola (PDT) foi questionada sobre Segurança Pública e disse que tem um projeto de parceria com a iniciativa privada para aumentar o número de câmeras de vigilância. Segundo ela, a prefeitura conta atualmente com dois mil equipamentos de monitoramento, enquanto que bancos e empresas em geral somam mais de seis mil. “Aqueles privados que quiserem fazer uma parceria com a prefeitura vamos estudar dar uma redução no IPTU para que possa aumentar o monitoramento da cidade.”

Nelson Marchezan Júnior (PSDB) falou sobre o incentivo ao empreendedorismo. Citou que implementou o licenciamento digital para 200 serviços, incluindo o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), além do licenciamento automático para pequenas obras que necessitavam de uma espera maior e do licenciamento expresso para reformas robustas. “Já conseguimos pros próximos 12 meses R$ 6,3 bilhões e 110 mil empregos gerados diretos e indiretos.” O atual prefeito ainda citou o que considera atrativos icônicos para a Capital, como a concessão do parque e da roda gigante da Orla, e a Parceria Público-Privada de iluminação pública,

Manuela D´Ávila (PCdoB), por sua vez, foi perguntada sobre a importância de buscar investimentos para a cidade e disse que é necessário que se capte recursos de dentro e de fora do país, assim como através do orçamento estadual e da União. De acordo com ela, a Capital tem capacidade de buscar estes financiamentos e criticou a quantidade de obras que horam iniciadas há anos e ainda estão inacabadas, interrompendo a vida da população. “Quero ser prefeita durante quatro anos, todos os dias, para garantir que isso não aconteça.”

Valter Nagelstein (PSD) falou sobre questões como o problema das pessoas em situação e rua e a necessidade de desburocratizar a cidade para os empreendedores, citando que tem experiência no assunto por ter sido secretário municipal. Mencionou ainda a necessidade de abrir o comércio por completo e finalizar as obras da Copa do Mundo de 2014. “Temos que cuidar da cidade que está abandonada e destruída.” O candidato ainda falou que a gestão municipal não é obra de uma só pessoa, mas que precisa de liderança.

José Fortunati (PTB), ainda que de forma mais comedida que Paim, também criticou Marchezan por falta de liderança e diálogo com a sociedade e com a Câmara de Vereadores. Citou, inclusive, que seu patrimônio pessoal é menor do que o do atual prefeito. O ex-prefeito da Capital citou a busca de financiamentos durante sua gestão que possibilitaram o início de obras viárias e afirmou ter experiência. “Tenho tranquilidade de ter agido da forma mais correta possível.”

Rodrigo Maroni (Pros) que durante a maior parte de seu tempo fez críticas diretas a Manuela D’Ávila, foi questionado sobre a situação do desemprego na Capital e respondeu criticando os candidatos como um todo. “Esse discurso de que vamos resolver todos os problemas é bonitinho, é fofo, mas não serve para nada.” O candidato disse que tem sido considerado o “louco” deste pleito por falar o óbvio e comentou que as soluções para a crise estão nas comunidades.

Fernanda Melchionna (PSol) citou ao longo do bloco a necessidade de trazer os vendedores ambulantes para a regularidade e que tem um projeto para limpar o nome dos porto-alegrenses. A candidata ainda disse que pretende ofertar microcrédito para os pequenos e microempreendedores , além de cobrar dívidas milionárias que bancos, empreiteiras e proprietários de imóveis de luxo têm com a Capital. “Quero falar grande com os grandes devedores.”

Quarto e último bloco: críticas fortes e ofensas 

O bloco começou tenso, com Rodrigo Maroni (Pros) questionando Manuela D’Ávila (PCdoB). Repetindo linha adotada em outras intervenções, Maroni disse para a candidata citar um defeito próprio, uma qualidade de Bolsonaro e responder se o ex-presidente Lula era inocente. Manuela declarou defender julgamento justo para Lula e para todos os brasileiros; e fez referência ao fato de o ex-juiz Sérgio Moro ter aceitado ser ministro de Bolsonaro. Disse ter vários defeitos, e a qualidade de trabalhar para superá-los. “É assim que nós, pessoas normais, trabalhamos ao longo da vida.”

Maroni seguiu: “O que a gente questiona é o teu caráter. Tu mente, mente, mente.” Manuela replicou dizendo que Maroni forjou um atentado. “Isto para mim está além da falta de caráter. É relacionado a transtornos que levam a pessoa a cometer determinados crimes.”

Na sequência Gustavo Paim (PP) perguntou a José Fortunati (PTB) o que ele teria feito diferente de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) na gestão da pandemia sob o aspecto econômico. Fortunati disse que o diálogo é essencial; e que está preparando uma equipe para enfrentar as pandemias da saúde, da crise econômica e da educação.

Na réplica Paim citou datas de decretos com medidas sucessivas de restrições e flexibilizações. “Nos primeiros decretos, em 18 de março, me coloquei a disposição de forma solidária, e sei que outros aqui também fizeram, e foram ignorados. O abre e fecha, a instabilidade, muita gente quebrou.” Fortunati aproveitou a deixa para assinalar a estabilidade como fundamental. “As pessoas não podem viver no sobressalto, no fecha e abre. O abre e fecha foi o que arrebentou a economia de Porto Alegre. A partir de 2021 não pode ser mais essa a lógica.”

Juliana Brizola (PDT) foi a seguinte a perguntar e questionou Sebastião Melo (MDB) sobre projetos para mães que trabalham. Melo defendeu o início das creches noturnas. “Mas o tema não é singelo, o Conselho Municipal tem posição contrária. Na tréplica, Juliana usou de ironia, fazendo alusão ao fato de Melo ter passado a defender uma de suas propostas prioritárias. “Fiquei feliz, Sebastião, quando vi no teu programa de TV, que defendes, assim como eu, a creche noturna. Infelizmente é uma demanda de longa data e reflito porque isso não foi feito na gestão do Fortunati, quando eras vice. Mas agora, talvez, estejas enxergando com outros olhos a importância da mulher.” Melo rebateu no mesmo tom. “Querida deputada Juliana, eu não fui prefeito, eu fui vice. E o prefeito Fortunati era do seu partido. A senhora teve pouca influência no governo.”

Na pergunta seguinte, feita por Fortunati para João Derly (Republicanos), a temperatura baixou um pouco. Fortunati questionou sobre a concessão de microcrédito. Derly assinalou que o sonho pode se transformar em um pesadelo para aqueles que não possuem informações adequadas a respeito do sistema e voltou a citar a proposta de escola de empreendedorismo.

Fortunati defendeu que o microcrédito não pode ser confundido com transferência de renda e destacou a importância do estabelecimento de um fundo garantidor. Na tréplica, contudo, os embates voltaram. Derly disse que aproveitaria o tempo para responder a Manuela “que me tachou de machista e misógino”. “O que ela acredita que seja crime eleitoral, a justiça disse que não é. A justiça entende que foi uma crítica. Eu em nenhum momento fui mal educado ou ataquei de forma machista.”

Melo foi o seguinte a perguntar, sobre segurança, para Valter Nagelstein (PSD). Nagelstein exaltou seu vice, que é da área da segurança, e repetiu seu projeto de um grande programa de planejamento familiar, que possui pontos polêmicos. “Temos meninas com 11, 12 anos, com criança no colo. Precisamos oferecer um método contraceptivo seguro. Na questão da segurança, reestruturar o combate, unificando as fiscalizações dentro da Secretaria de Ordem Urbana e Segurança Pública. Temos que preservar a família e o cidadão de bem.”

Melo disse pensar que a “raiz do crime” está nas drogas. “Quero dizer que sou contra a liberação das drogas. Lugar de criança é na escola, na família, no turno inverso.” Nagelstein também aproveitou a deixa para mais ataques. “Temos uma candidata aqui que patrocina a marcha da maconha.”

O próprio Nagelstein perguntou na sequência, com mais embates. “Quero dizer que o Lula foi condenado em primeiro grau, foi condenado em segundo grau, foi preso e só está solto por liminar. Diferentemente de uma candidata que está aqui, se o Valter (ele mesmo) for prefeito, o Lula não estará em Porto Alegre em janeiro. Não é pessoa bem-vinda aqui. Quero perguntar ao Maroni sobre obras da Copa, por que não foram concluídas?” 

O candidato do Pros não respondeu. Usou o tempo para dar continuidade aos ataques à Manuela. “Tu foi preconceituosa com quem tem transtorno. Eu preferia ter transtorno do que ser tu.” Na réplica, Nagelstein alfinetou outros oponentes. “Olha, eu amo essa cidade. Mas tem candidato que não pode ir na Avenida Tronco, na Vila Cruzeiro, na Severo Dullius, porque as obras estão até hoje lá.” Maroni usou seu último tempo para mais críticas a Manuela.

Na pergunta seguinte o debate voltou a ter um momento mais acentuado de tensão, quando Fernanda Melchionna (PSol) perguntou para Marchezan. “Tu é o pior prefeito da história de Porto Alegre. Por que tu investiu mais em publicidade em 2019 (R$ 30 milhões) do que em cultura?” Marchezan devolveu: “Já vou responder para ti e para o lobo aí travestido de ursinho carinhoso. Sou o pior prefeito para os vigaristas, os sem-vergonha, os corruptos.”

Na tréplica, a deputada disparou: “Se eu gostasse de corrupto eu tava no teu partido, que é o partido do Aécio. Amanhã é o dia do servidor público. Estamos falando de quem teve carreira congelada e confisco de salários e foi tachado de vagabundo. Mais vagabundo é um prefeito que nunca bateu ponto na vida, nunca trabalhou.” E Marchezan: “Quem nunca trabalhou aqui é tu. Trabalhou de quê? Aproveita e fala.” Seguiu-se uma altercação que precisou da intervenção do mediador.

Marchezan seguiu com o microfone, e perguntou para Juliana. De saída, alertou a deputada de que apesar de ela fazer ‘pegadinhas’, não iria se comportar da mesma forma. “O que pensas sobre um decreto que existia que dava a todos os professores um dia de folga? Quando chegamos, alteramos essa rotina.” Juliana usou o tempo para se dirigir a Melo.

“Quando os feitos são bons, ele diz que liderou. Mas quando não, diz que não era prefeito. Ele chama por Ulysses, o MDB tem uma trajetória, mas nesta eleição ele deu uma guinada para a direita. O que ele é?” Para Marchezan, Juliana respondeu que sua crítica foi da falta de diálogo com a comunidade escolar e que respeita a forma de fazer política do prefeito. Marchezan citou dados referentes às creches comunitárias e rebateu declarações de Fortunati. Juliana finalizou destacando sua prioridade para a educação pública.

Com o debate se encaminhando para o final, Manuela perguntou para Melchionna sobre como enfrentar os temas do desemprego e do fim da renda emergencial já anunciado. Melchionna voltou a assinalar que o duplo benefício do auxílio emergencial para mulheres chefes de família foi resultado de uma emenda de sua autoria na Câmara dos Deputados e destacou ser coautora da lei Aldir Blanc.

Aproveitou o tempo para responder a Marchezan sobre o embate anterior, chamando o tucano de prefeito playboy. “Porto Alegre não merece esse futuro ex-prefeito playboy e ele será derrotado.” Manuela, na sequência, usou sua última participação para pedir os votos dos eleitores. Melchionna terminou se apresentando como representante de uma esquerda renovada e solicitando a oportunidade de ocupar o Paço.

Na última intervenção, Derly perguntou para Paim sobre o contraturno escolar, destacando a possibilidade de parcerias com academias e escolas de samba e dança para a iniciativa. Paim começou a resposta se dirigindo a Marchezan. “Lobo em pele de ursinho. Não vou fazer comparação do Marchezan com o mundo animal porque o mundo animal não merece. R$ 30 milhões de reais em publicidade em um único ano: nunca antes na história de Porto Alegre. Verdades precisam ser ditas e respostas tem que ser trazidas. O eleitor precisa saber quem ele está escolhendo para prefeito de Porto Alegre.” 

Derly terminou defendendo o contraturno e a prática esportiva. Paim fechou a participação dos candidatos falando sobre a administração que os porto-alegrenses merecem.  

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