Manifestações não são antidemocráticas, afirma Mourão

Manifestações não são antidemocráticas, afirma Mourão

De acordo com senador eleito, protestos ocorrem por conta de frustração com vontade da maioria

Correio do Povo e Rádio Guaíba

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O vice-presidente e senador eleito pelo Rio Grande do Sul, Hamilton Mourão (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira, em entrevista ao programa Agora, da Rádio Guaíba, que as manifestações contrárias ao resultado das últimas eleições não podem ser consideradas antidemocráticas. 

De acordo com ele, os protestos ocorrem por conta da frustração de parte da população em relação ao processo eleitoral brasileiro e vontade da maioria. "O governo eleito tem que compreender que esta foi uma eleição bastante polarizada e que Lula venceu com uma diferença ínfima", declarou. 

Em Porto Alegre, os gazebos, barracas e “barracas iglus” continuam montados no Centro Histórico, formando acampamento que começou a tomar corpo no dia 1º de novembro. Os manifestantes não aceitam o resultado, acusam o processo eleitoral de "fraudulento" e pedem "intervenção das forças armadas". O movimento se repete em vários estados brasileiros e não tem uma data definida de término.

Para Mourão, a oposição ao governo Lula agora deve focar nos trabalhos direcionados às eleições municipais de 2024 com o objetivo de aumentar a base política e a direita voltar com força em 2026. O vice-presidente considera que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve dar uma resposta mais satisfatória em relação aos apontamentos do relatório do Ministério da Defesa acerca do pleito. "Eles têm que prestar conta à população", defendeu. 

O senador eleito também criticou a atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nas eleições. "Não resta dúvida que desde algum tempo as mais altas cortes do país avançaram o sinal, tomaram decisões que são acima de sua responsabilidade", disse. "O congresso tem que abrir um canal com a Suprema Corte para que cada um volte a trabalhar no seu nível e consequentemente isso dê mais tranquilidade ao país", acrescentou. 

É necessária, segundo Mourão, uma reformulação nas nomeações e no tempo de atuação dos magistrados. Uma das possíveis medidas citadas pelo integrante do governo federal é um mandato para os ministros. "A pessoa ser nomeada e ficar 25, 30 anos na Suprema Corte é muito tempo, uma vida praticamente", pontuou. 

O vice criticou a intenção do governo eleito de furar o teto de gastos em R$ 175 bilhões com a PEC da Transição. Mourão chamou a manobra de "PEC Super Kamikaze" e disse que é justificável ultrapassar o limite de despesas federais apenas para a manutenção do Auxílio Brasil e um aumento real do salário mínimo. 


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