Coordenadores de campanha, políticos, empresários e jornalistas lotaram o salão nobre da Federasul nesta quarta-feira para acompanhar o debate entre os candidatos ao governo do Estado. Se no palco montado para acomodar sete postulantes ao Palácio Piratini houve momentos de tensão e confronto – principalmente entre Onyx Lorenzoni (PL) e Eduardo Leite (PSDB) – nas mesas ocupadas pelas direções de campanha e correligionários o clima era de cordialidade e respeito. Entre os principais temas discutidos estão as privatizações e investimentos em infraestrutura e educação.
Cerca de 250 pessoas marcaram presença no evento, que teve duração de duas horas e meia. Antes do meio-dia, horário marcado para o início do debate, o movimento de carros se intensificou na entrada da sede da Federasul, no Largo Visconde de Cairu, no Centro Histórico. Apesar da chegada constante de veículos, a ausência de simpatizantes e das tradicionais bandeiras de partidos chamou atenção. Sem a presença de militantes, os candidatos ingressaram com tranquilidade no prédio. No salão nobre, a organização do evento se esforçou para garantir lugar para todos os convidados.
Durante o debate, o candidato Vieira da Cunha (PDT) arrancou risos da plateia ao se dirigir ao governador Ranolfo Vieira Júnior. “Espero que o governo continue na nossa família”, brincou, em referência ao sobrenome comum dos dois. Os momentos de maior tensão envolveram Lorenzoni e Leite, que trocaram farpas sobre os números envolvendo o desempenho da economia gaúcha. Separados apenas pelo candidato Luis Carlos Heinze (PP), que deixou o palco para tomar um remédio para dor de cabeça, os dois evitaram trocar olhares durante os quatro blocos de debate.
Ao ultrapassar o tempo definido para suas considerações, o candidato Ricardo Jobim (Novo) – que defendeu, entre outras coisas, a privatização do Banrisul e a redução do número de secretarias de 24 para 12 – foi repreendido por uma pessoa da plateia, que bateu os talheres em um copo em sinal de reprovação. Em seguida, ao voltar para o palco, em tom áspero cobrou mais respeito dos participantes. Foi o único momento de maior tensão com o público. Posicionado entre Leite e Vicente Bogo (PSB), o candidato Edegar Pretto (PT) evitou confrontos e defendeu o legado dos governos Olívio Dutra e Tarso Genro. “Acertamos mais do que erramos”, afirmou.
Contrário às privatizações, Bogo criticou ainda o endividamento do estado e afirmou que não irá privatizar áreas essenciais. Mesmo com momentos de maior tensão, ao final do debate os candidatos e as coordenações de campanha deixaram o local sem maiores problemas. Nas mãos, cada candidato levou para casa um documento entregue pelo presidente da Federasul, Anderson Trautman Cardoso, com proposições sobre temas como educação, saúde, segurança, equilíbrio fiscal e políticas de desenvolvimento.