Evento do FSM em Porto Alegre faz contraponto ao Fórum de Davos

Evento do FSM em Porto Alegre faz contraponto ao Fórum de Davos

Ação Global Anti Davos fez críticas à concentração de capital

Jessica Hübler

Ação Global fez contraponto ao Fórum Econômico Mundial

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A Ação Global Anti Davos, atividade que faz parte do Fórum Social Mundial (FSM) 2018, foi realizada na tarde desta terça-feira no Teatro Dante Barone, da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O encontro, com viés econômico, teve como gancho a crise política e a “crise da democracia”, citada pelos participantes. O FSM ocorrerá de 13 a 17 de março de 2018, em Salvador. O presidente da ALRS, deputado Edegar Pretto (PT), deu início aos trabalhos.

Conforme o membro da Direção Executiva da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), que faz parte da organização do FSM Mauri Cruz, a ideia da Ação Global Anti Davos nasceu em janeiro de 2017. “No Brasil, dois anos atrás, oito pessoas detinham (renda) igual a 50% da população brasileira e hoje são cinco, ou seja, em dois anos, a concentração de renda piorou muito mais”, enfatizou.

A desigualdade e a concentração de renda, especialmente em contraposição ao Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, estiveram no centro do debate. Segundo ele, o julgamento do recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para ocorrer no TRF4, fez com que a atividade fosse realizada em Porto Alegre: “As estruturas do Estado estão sendo utilizadas para corromper a própria democracia. Quem se apropriou da democracia no mundo foi o grande capital. Quem manda no mundo hoje é quem o Fórum Econômico Mundial em Davos representa”, ressaltou Cruz.

Para o senador Roberto Requião (PMDB), a desigualdade social está diretamente ligada à precarização do trabalho, redução dos salários, aumento da carga horária e fim da previdência pública. “Temos que mexer na previdência sim, especialmente na aposentadoria dos parlamentares, juízes e membros do Ministério Público”, afirmou. Conforme Requião, o congelamento dos investimentos com recursos públicos por 20 anos é uma “loucura completa”.

De acordo com o membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, o que está em jogo é uma encruzilhada democrática fundamental para a história brasileira. “Há um novo momento do golpe. O terceiro passo do golpe é interditar o ex-presidente Lula no tapetão do judiciário. Não se trata aqui de gostar ou não do Lula, se trata de defender a democracia. O objetivo desta condenação é tirá-lo da eleição”, afirmou.

Segundo Boulos, não é possível que haja uma condenação sem provas “da liderança mais popular do país”. “(O Lula) Pode ter cometido acertos e erros, mas não provaram que cometeu crime e para condenar alguém tem que cometer crime”, ressaltou. Para ele, se o judiciário fizer Justiça, Lula não será condenado.

O Fórum realizado em Davos, segundo ele, é um evento de quem tem alimentado um abismo social no mundo todo. “A luta pela democracia e a luta por direitos são irmãs”, destacou.


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